AJUDE-SE A SI MESMO A RECUPERAR DA MORTE DE ALGUÉM

Morreu alguém que ama.

Encara isso com dificuldade mas é importante que chore. Chorar é um modo de expressar o que pensa e sente em relação à pessoa que morreu, e é fundamental para recuperar da perca. É o inicio de um percurso que é, muitas vezes, assustador, aflitivo, dominante e, às vezes, solitário. Este artigo propõe sugestões práticas de ajuda para a recuperação de uma experiência de luto.

O Modo de Efectuar o Luto é um Processo Único

O seu luto é único. Ninguém sofre exactamente da mesma maneira. A sua experiência será influenciada por uma variedade de factores: o parentesco que tinha com a pessoa que morreu; as circunstancias em que ocorreu a morte; o seu sistema de suporte emocional; e as suas bases culturais e religiosas.

Como resultado de todos estes factores, cada pessoa sofre da sua própria maneira. Não tente comparar o seu sofrimento com o de outra pessoa ou tentar supor acerca de até quando irá continuar a sentir essa dor. Deve tentar viver “um dia de cada vez” para que o seu sofrimento vá desaparecendo ao seu próprio ritmo.

Fale Sobre o Que Sente

Expresse a sua dor abertamente. Partilhando o seu luto com outras pessoas é meio caminho para a recuperação. Ignorar a sua dor não o fará continuar em frente; falar acerca dela muitas vezes fá-lo-à sentir-se melhor. Admitir para si mesmo falar dos seus sentimentos e não apenas do que lhe passa na cabeça. Fazer isto não significa que está a perder o controlo ou a ficar “doido”. É uma fase normal do seu percurso de luto.

Procurar carinho de amigos e familiares que irão escutá-lo sem o julgar. Para alem dessas pessoa, procurar quem sofra consigo, que não o faça confrontar-se ou que desvalorize o seu percurso de luto. Evitar pessoas que criticam ou que tentam desvalorizar a sua dor. Podem dizer-lhe “mantém o queixo para cima”, ou “a vida continua”, ou “tens de ser feliz”. Qualquer destes comentários podem ser bem intencionados, mas não tem que aceitá-los. Tem o direito de expressar o seu sofrimento; ninguém tem o direito de lhe tirar isso.

Prepare-se Para Sentir Uma Variedade de Emoções

A experiência de perca afecta a sua cabeça, o seu coração e o seu espírito (alma). Por isso, pode sentir uma variedade de emoções como parte do seu percurso de luto. Confusão, desorganização, medo, culpa, alívio, ou emoções explosivas são apenas algumas das emoções que pode vir a sentir. Algumas vezes, estas emoções sentem-se seguidas umas das outras num curto espaço de tempo ou, até, simultaneamente.

Por muito estranhas que algumas destas emoções possam parecer, são normais e saudáveis, aprenda com elas. Ser surpreendido em qualquer lugar, pelas suas próprias emoções, de repente faz parte da experiência do luto, mesmo nas alturas mais inesperadas. Este ataque de sofrimento pode ser assustador e deixá-lo aflito. Mas é, contudo, uma resposta natural à morte de alguém que nos é querido. Procure alguém que compreenda e permita que fale acerca dos seus sentimentos.

Admitir a Confusão

Sentir excitabilidade ou entorpecimento quando alguém que amamos morre é, talvez, a experiência de luto mais primitiva. Este entorpecimento tem uma utilidade valiosa: dá tempo às emoções para alcançar o que a sua mente lhe está a dizer. Este sentimento ajuda a criar isolamento da realidade de morte até estar preparado (apto) a tolerar o que não quer acreditar.

Seja Tolerante Para Com os Seus Limites Físicos e Emocionais

Os seus sentimentos de perca e tristeza vão provavelmente deixá-lo fatigado. A sua capacidade para pensar claramente e tomar decisões está enfraquecida. E está com um nível de energia abaixo da sua energia normal. Respeite o que o seu corpo e mente lhe dizem. Eduque-se a si mesmo. Tire o dia para descanso. Coma refeições equilibradas. Alivie a sua agenda o mais possível. Cuidar de si não quer dizer ter pena de si, significa saber sobreviver.

Desenvolva Um Sistema de Apoio

Conseguir e aceitar apoio dos outros é muitas vezes difícil, particularmente quando se está tão magoado. Mas a mais compassiva auto-ajuda que pode ter nesta altura difícil é encontrar um sistema de apoio de amigos carinhosos e familiares que proporcionem a compreensão de que necessita. Encontre essas pessoas que o encorajam a ser você mesmo e reconhecem os seus sentimentos – ao mesmo tempo felizes e tristes.

Faça Uso do Ritual

O ritual do funeral é mais do que o reconhecimento da morte de alguém que amamos. Ajuda a proporcionar o suporte de carinho às pessoas. Mais importante, o funeral é uma maneira de expressar a sua dor, a dor que trás consigo. Se eliminar esse ritual, está a reprimir os seus sentimentos, e a enganar todos os que se preocupam a prestar homenagem a alguém que é, e será sempre, amado.

Aceite a Sua espiritualidade

Se a fé faz parte da sua vida, expresse-a da maneira que parecer apropriada para si. Permita-se envolver-se de pessoas que o compreendem e que tenham as mesmas crenças religiosas. Se está zangado com Deus por causa da morte de alguém que amava, encare esse sentimento como uma fase normal no processo de luto. Encontre alguém com quem possa falar que não critique os seus sentimentos de dor e abandono.

Permita a Procura de Significado

Pode-se perguntar a si próprio, “Porque morreu ele/a? O que quer isto dizer? Porquê agora?”. Esta procura de significado é também uma busca natural no processo de recuperação de perca. Algumas perguntas têm respostas, outras não. Actualmente, a recuperação ocorre da oportunidade de colocar questões, não necessariamente das respostas a essas questões. Encontre um amigo que o apoie e que ouça responsavelmente enquanto faz a sua procura de significado.

Guarde as Suas Memórias

As memórias são um dos melhores legados que existem depois que morre alguém que amamos. Guarde-as. Partilhe-as com a sua família e amigos. Reconheça quais as memórias que o fazem rir ou chorar. De qualquer modo, elas são uma parte permanente da relação que teve com uma pessoa muito especial na sua vida.

Do Luto à Recuperação

A capacidade para amar requer a necessidade de dar quando alguém que amamos morre. Não consegue recuperar a menos que expresse abertamente a sua dor. Negar a dor, o sofrimento só fará com que fique cada vez mais confuso e opressivo. Aceite a sua dor e recuperação.

Conformar-se com o luto não é um decurso rápido. Lembre-se, o luto é um processo, não é apenas um acontecimento, seja paciente e tolerante consigo próprio. Nunca esqueça que a morte de alguém querido muda a sua vida para sempre. O que não quer dizer que não voltará a ser feliz. Simplesmente nunca mais voltará a ser exactamente igual ao que era antes da morte de alguém querido ser um facto na sua vida.

A experiência de luto é poderosa. Também a sua capacidade para recuperar o é. Durante o trabalho de luto estará à procura do sentido, significado e objectivo da vida.

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OBTER AJUDA QUANDO ESTÁ A SOFRER

Quando alguém que amamos morre, temos de sofrer se queremos recuperar a nossa capacidade de amar. Por outras palavras, sofrer leva à recuperação. Mas a recuperação também requer suporte e compreensão de todos à sua volta assim como de aceitar a sua própria dor e perca.

Talvez a coisa mais compassiva para si próprio nesta altura difícil seja obter ajuda dos outros. Pense nisto desta maneira: o luto pode ser o trabalho mais difícil que alguma vez fez. E o trabalho difícil fica menos pesado quando outros dão uma mãozinha. A vida é o maior desafio – são muitos esforços – começa com a escola, educando crianças, seguindo a carreira – são muitos esforços de equipe. O mesmo se passa com o luto.

Este artigo foi escrito para o ajuda a procurar um conselheiro ou um grupo de suporte. Partilhando a sua dor com os outros não a fará desaparecer, mas irá, contudo, torná-la mais suportável. Procurar ajuda também é uma forma de ligá-lo a outras pessoas e a fortalecer a união de amor que faz com que a vida vala a pena ser vivida novamente.

Onde Procurar Ajuda

“Fortalecemo-nos juntos”, pode-se dizer. Outras dizem, “Unidos continuamos, divididos caímos”. Se está em aflição, na verdade pode fortalecer e sentir a estabilidade se se deixar ajudar num sistema de suporte de ajuda.

Frequentemente, os amigos e membros da família podem ser o pilar do seu sistema de apoio. Procure pessoas que o encorajem e reconheçam os seus pensamentos e sentimentos sobre a morte. O que precisa é que se preocupem, que sejam ouvintes sem julgar.

Também pode encontrar conforto com um padre ou outro representante da Igreja. Quando alguém que amou morre, é natural que se sinta ambivalente relativamente à sua fé e, mesmo, que se questione quanto ao significado da vida. Um membro do Clero que não critique mas que mostre empatia pelos seus sentimentos pode ser um recurso valioso.

Um conselheiro profissional pode ser também uma ajuda preciosa no seu sistema de apoio. Na realidade, um conselheiro profissional pode ser algo que os seus amigos e familiares não podem ou não conseguem: um ouvinte objectivo. O consultório de um conselheiro pode ser aquele porto seguro e forte onde pode deixar sair todos os seus sentimentos que tem medo de expressas. Mais, um conselheiro, pode ajudar a canalizar construtivamente essas emoções.

Para muitas pessoas que passam pela situação do luto, os grupos de apoio são os melhores recursos de ajuda. Em grupo, pode estar com pessoas que tem a experiência de pensamentos e sentimentos semelhantes. Permite-lhe e será encorajado a falar da pessoa que morreu o tempo que quiser.

Lembre-se, a ajuda vem de diferentes formas para pessoas diferentes. O truque é encontrar a combinação que melhor funciona consigo e fazer uso dela.

Como Encontrar Um Bom Conselheiro

Encontrar um bom conselheiro par o ajudar no processo de luto, às vezes, não é tarefa fácil. Uma recomendação de alguém em quem confia é provavelmente a melhor forma de começar. Se essa pessoa teve uma boa experiência com um conselheiro e se pensa que também você trabalharia bem com esse conselheiro, então comece por aí. No final das contas, só você pode determinar se esse conselheiro particular o pode ou não ajudar.

Se a recomendação do seu amigo não resulta, tente um método de procura mais formal. Os seguintes recursos podem ser úteis:

O hospital local, pode ter um conselheiro que poderá estar disponível para trabalhar consigo;
Um grupo de auto-ajuda no luto, normalmente, mantém uma lista de conselheiros especializados em terapia do luto;
O seu médico de família pode indicar-lhe um especialista em situações de perda;
Uma informação e um serviço de indicação, tal como um centro de intervenção de crises, mantêm uma lista de conselheiros especializados no trabalho de perda;
Um hospital, uma agencia de serviço à família e/ou uma clínica de saúde mental, também mantêm uma lista de indicação.

Enquanto está a decidir se um conselheiro particular é bom para si, deve confiar nos seus instintos. Pode sair da sua primeira sessão de aconselhamento sentindo empatia com o seu conselheiro. Por outro lado, pode levar várias sessões até formar a sua opinião.

Como Encontrar Um Grupo de Apoio

O slogan dos Amigos Compassivos, uma organização internacional de pais despojados, diz “não precisa de caminhar sozinho”. Provavelmente, descobrirá , se não descobriu ainda, que pode beneficiar através da comunicação com outras pessoas que também tiveram uma morte de alguém querido nas suas vidas.

Grupo de apoio onde as pessoas se juntam e partilham as suas experiências comuns, pode ser uma ajuda inestimável na recuperação. Nestes grupos, cada pessoa pode partilhar o seu percurso de sofrimento numa atmosfera segura, não ameaçadora. Normalmente, os membros do grupo são muito pacientes consigo e com a sua aflição e entendem a sua necessidade de apoio após a actual morte.

Para encontrar um grupo de apoio na sua área de residência recorra ao seu centro de saúde, hospital, agência funerária ou Câmara Municipal para informação sobre auto-ajuda.

Lembre-se que um grupo de apoio pode ser apenas um elemento do seu sistema de suporte. Algumas pessoas necessitam de um conselheiro e também de um grupo de ajuda.

Como Saber Se Encontrou Um Grupo de Apoio “Saudável”

Nem todos os grupos de apoio serão de ajuda para si. Às vezes, o grupo dinâmico torna-se não saudável por uma ou outra razão, veja os seguintes sinais de um grupo de apoio saudável: 1. Os membros do grupo reconhecem que a dor de cada um é única. Respeitam e aceitam o que os membros do grupo têm em comum e o que é único em cada pessoa.
2. Os membros do grupo compreendem que esta dor não é uma doença, mas um processo normal sem tempo pré-estabelecido.
3. Todos os membros do grupo sentem-se livres para falar dessa dor. Porém, se alguém decidir apenas ouvir e não partilhar, essa decisão é respeitada.
4. Os membros do grupo compreendem a diferença entre uma pessoa que escuta activamente o que outra diz e a pessoa que está a expressar a sua própria dor. Fazem um esforço para não interromper quando alguém está a falar.
5. Os membros do grupo respeitam o direito dos outros à confidencialidade. Pensamentos, sentimentos e experiências partilhadas no grupo não serão tornadas publicas.
6. A cada membro do grupo é atribuído um tempo igual para falar, ninguém monopoliza o tempo do grupo.
7. Os membros do grupo não dão conselhos a menos que lhes seja pedido.
Os membros do grupo reconhecem que os pensamentos e os sentimentos não são nem centos nem errados. Ouvem com empatia os pensamentos e sentimentos dos outros sem tentarem mudá-los.

Avaliação do Seu Progresso

O seu percurso de luto não será rápido e fácil. Frequentemente, sentirá que está a recuar e não a avançar. Mas a reconciliação da dor exige que continue a trabalhar nessa mudança.

Existem seis principais necessidades que as pessoas despojadas de um ente querido devem seguir na reconciliação da sua dor.

O importante é perceber que de uma maneira ou de outra, estará a progredir no sentido da recuperação ao reconhecer essas necessidades.

Reconheça a realidade da morte

Se a morte foi subida ou antecipada, o reconhecimento dessa realidade pode levar semanas ou meses. Pode mover-se entre protestar e reconhecer a realidade da morte. Pode tomar consciência através dos rituais de morte ou no confronto de recordações, ambos bons e maus. É como se cada vez que fala disso, se torne cada vez mais real.

Oriente a dor da perda

Expressar os seus pensamentos e sentimentos relativamente à morte com toda a sua intensidade é difícil mas uma necessidade importante. Provavelmente, descobrirá se precisa dosear ao expressar a sua dor. Por outras palavras, não pode ou não deve fazer isto de uma só vez.

Continue a sua relação com a pessoa que morreu através das memórias

Abraçar as suas memórias – as felizes e as tristes – pode ser um processo lento e, muitas vezes, um processo doloroso que se faz em passos pequenos. Mas lembrar o passado cria esperança para um possível futuro.

Desenvolva uma nova auto-identidade

Parte da sua auto-identidade foi construída através das relações que tem com os outros. Quando alguém com quem tem uma relação morre, naturalmente a sua auto-identidade muda. Muitas pessoas descobrem que à medida que avançam no processo de luto alguns aspectos das suas auto-identidades mudaram de forma positiva. Pode sentir-se mais confiante ou mais aberto aos desafios da vida, por exemplo.

Procure significado

Quando alguém que ama morre, naturalmente questiona o significado e propósito da vida. Colocar termo a essas questões é outra das necessidades que terá de satisfazer para progredir no seu processo de luto. Caminhe a seu tempo reconhecendo que precisa de sofrer e encontrar o significado da sua vida, porque mais cedo ou mais tarde a recuperação acontece.

Continue a receber apoio de outros

Nunca deixará de precisar do amor e apoio dos outros porque a sua dor nunca acabará. À medida que aprender a reconciliar a sua dor, verificará que com menos frequência necessitará de ajuda. Assim, não precisará de um conselheiro para sempre, mas precisará sempre dos seus amigos e familiares para o ouvirem e apoiarem no seu percurso de dor. Os grupos de apoio podem ser outro recurso de ajuda a longo prazo.

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PERCURSO DO LUTO: AS SEIS “NECESSIDADES DE RECONCILIAÇÃO” DO SOFRIMENTO

A morte de alguém amado muda sempre a nossa vida. E o movimento do “antes de” para o “depois de” é quase sempre uma viagem longa, dolorosa. Da minha própria experiência de perdas assim como dos milhares de pessoas que também sofrem e com quem trabalho durante anos, aprendi que se queremos recuperar não podemos marginalizar as extremidades da nossa dor. Pelo contrário, devemos passar por tudo isso.

Também aprendi que esta viagem requer luto. Existe uma importante diferença. Dor/aflição é o que pensa e sente interiormente quando alguém que ama morre. Luto é a expressão externa desses pensamentos e sentimentos. Fazer o luto é ser um participante activo dessa viagem de dor. Todos nós sentimos dor quando alguém que amamos morre, mas para nos recuperarmos necessitamos de fazer o luto.

Existem seis “sinais produtivos” que provavelmente irá passar durante o seu processo de luto – “a recuperação necessita de dor” como costumo dizer. Por algum tempo o seu percurso de luto será uma intensa experiência pessoal, única, todos os que sofrem tem de passar por esse percurso de necessidades básicas e humanas para alcançar a recuperação.

Necessidade 1. O reconhecimento da realidade da morte.

Esta primeira necessidade de dor envolve a confrontação suave com a realidade de que alguém de quem gostava não voltará a encontrar-se consigo fisicamente.

Se a morte foi súbita ou antecipada, o reconhecimento total dessa morte pode levar semanas ou meses. Para sobreviver, pode por vezes manter afastada essa realidade de morte. Pode descobrir a confrontação com a morte através das recordações, boas e más. Estas recordações são uma parte vital no processo de luto. É como se cada vez que expressa o que sente, a morte se torne mais real.

Recordar – a primeira necessidade do luto, assim como as necessidades que se seguem, pode reter a sua atenção por meses. Seja paciente e compassivo consigo mesmo enquanto trabalha cada uma delas.

Necessidade 2. Aceite a dor da perda.

Esta necessidade exige que aceitemos o dor da perda – que, naturalmente, é algo que não queremos fazer. É mais fácil tentar evitar, reprimir ou negar a nossa dor que nos confrontarmos com ela, mas é no confronto com a dor que aprendemos a superar este momento difícil.

Provavelmente, descobrirá que necessita “equilibrar-se” para aceitar a dor. Por outras palavras, não pode (nem deve tentar) sobrecarregar-se com todo o sofrimento. Às vezes é necessário tentar distrair-se para não pensar nessa dos, outras vezes precisa encontrar um lugar seguro para equilibrar essa dor.

Infelizmente, a nossa cultura tende a encorajar a negação da dor. Se expressar seus sentimentos de sofrimentos, os seus amigos mais mal informados podem aconselha-lo a “continuar” ou “a manter a cabeça levantada”. Se permanecer “forte” e “controlado”, será elogiado por estar a “agir bem” com o seu sofrimento. Actualmente, agir bem com os seus sentimentos significa formação para a familiarização do seu sofrimento.

Necessidade 3. Lembrando a pessoa que faleceu.

Continua a ter algum tipo de relação com alguém que faleceu? Claro. Tem uma relação através das lembranças. Memórias preciosas, sonhos que reflectem o significado da relação e objectos que o ligam à pessoa que faleceu (como fotografias, recordações, etc.) são exemplos de coisas que testemunham de alguma forma uma relação que continua. A necessidade de fazer o luto envolve a procura e encorajamento de continuar essa relação.

Mas algumas pessoas vão tentar mantê-lo afastado das suas memórias. Tentam ajudar, encorajando-o a tirar da sua vista todas as fotografias da pessoa que faleceu. Dizem-lhe para se manter ocupado, ou até para mudar de casa. Mas lembrar o passado faz com que crie um possível futuro. O seu futuro só estará aberto a experiências novas se recordar o passado.

Necessidade 4. Desenvolva uma nova auto-identidade

Parte da sua auto-identidade deriva das relações que estabelece com outras pessoas. Quando alguém com quem mantém uma relação morre, a sua auto-identidade, ou a forma como se vê a sua próprio, naturalmente sofre alteração.

Poderá passar de “esposa” ou “marido” para “viúva” ou “viúvo”, de “pai” para “pai despojado”. A forma de se definir a si próprio e a denominação que a sociedade lhe dá mudam.

Muitas vezes, uma morte exige que assuma novos papeis sociais que eram preenchidos até então pela pessoa que faleceu. Afinal, alguém tem que continuar a fazer as tarefas diárias, como despejar o lixo, comprar alimentos, etc.. assim, será confrontado com a sua mudança de identidade sempre que tenha de desempenhar uma tarefa que normalmente era função de pessoa que faleceu. Isto pode ser um trabalho duro e poderá fazê-lo sentir-se muito triste.

Eventualmente, pode sentir-se como uma criança – lutando com a sua mudança de identidade. Pode sentir uma temporária dependência dos outros assim como sentimentos de desamparo, frustração, inadequação e medo.

Muitas pessoas ao trabalharem esta necessidade descobrem mudanças positivas nessa mudança de identidade. Pode desenvolver a confiança em si mesmo, tornar-se uma pessoa mais cuidadosa e sensível. Pode desenvolver uma nova vontade de viver embora continue a sentir a perca.

Necessidade 5. A procura de um significado.

Quando alguém que ama morre, naturalmente questiona-se sobre o significado e propósito da vida. Provavelmente irá questionar a sua filosofia de vida e explorar os valores espirituais e religiosos enquanto trabalha esta necessidade. Pode descobrir um significado próprio para as perguntas “Como?” e “Porquê?”.

“Como pode Deus deixar q isto acontecesse?”, “Porque aconteceu isto agora, desta forma?”. A morte lembra-lhe a sua falta de controlo e a sua impotência.

A pessoa que faleceu era parte de si, o que quer dizer que o seu desgosto não é só exterior mas também interior. Muitas vezes, a tristeza e a solidão serão suas companheiras. Assim, pode sentir quando essa pessoa faleceu que parte de si morreu com ela. E, agora, encarando esse facto pode sentir-se frequentemente vazio.

Esta morte pode encaminha-lo no confronto com a sua própria espiritualidade. Pode sentir que falhou duplamente e com conflitos espirituais e questões que não saem da sua cabeça e coração. Isto é um decurso normal do processo de luto, de recuperação da sua vida.

Necessidade 6. Recebendo apoio dos outros

A qualidade e quantidade de compreensão e apoio que receberá durante o seu processo de luto influenciará a sua capacidade de recuperar. Não pode – nem deve tentar – fazer isso sozinho. Utilizando as experiências e encorajamento de amigos, dos que já sofreram algo idêntico ou de conselheiros profissionais não é uma fraqueza mas uma necessidade humana saudável. E porque o luto é um processo deve ser efectuado no tempo, este apoio deve estar disponível durante meses, e até anos após a morte de alguém que fazia parte da sua vida.

Infelizmente, devido ao peso que a nossa sociedade coloca na habilidade para “continuar”, “manter a cabeça erguida” e “mantermo-nos ocupados”, muitos dos que estão de luto são abandonados logo após a ocorrência da morte.”Terminou e acabou com” e “É tempo de continuar com a sua vida” são o tipo de mensagens dirigidas às pessoas em luto. Obviamente este tipo de mensagem encoraja-o a negar ou reprimir o seu sofrimento em vez de o expressar.

Para ser verdadeiramente útil, as pessoas do seu grupo de apoio devem entender o impacto que essa morte teve na sua vida. Têm de entender que para que a recuperação seja saudável, devem permitir – e até encorajarem – que lamente após muito tempo a morte dessa pessoa que lhe era querida. Devem encorajá-lo a encarar o luto não como um inimigo a ser derrotado mas como uma experiência necessária como resultado de ter amado.

Reconciliando o Seu Sofrimento

Pode ouvir dizer – e mesmo acreditar – que o seu percurso de luto acaba quando resolve, ou recupera, o seu sofrimento. Mas o seu percurso nunca acaba. As pessoas não acabam com o sofrimento de um luto.

Reconciliação é o termo que acho mais adequado para definir a integração da nova realidade de vida, em continuar sem a presença física da pessoa que faleceu, por parte das pessoas em luto. Com reconciliação recupera-se energia e confiança, a habilidade reconhecer a realidade da morte e a capacidade para voltar a resolver as tarefas diárias da vida.

Na reconciliação, a questão, é – a dor existente no sofrimento transforma-se num sentido com significado. O sentimento de perda não desaparecerá completamente, contudo tornam-se mais suaves, e os intensos momentos de aflição tornam-se menos frequentes. A esperança para continuar a vida emerge assim que estiver disponível para ter compromissos no futuro, sabendo que a pessoa que faleceu nunca será esquecida, mas ainda assim aceitando que a vida continua e que deve continuar.

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DIREITO DAS PESSOAS EM PROCESSO DE LUTO

Embora deva procurar apoio dos outros durante o processo de luto não é obrigado a aceitar as respostas sem sentido de algumas pessoas. Quem está a sofrer é você, e como tal, tem alguns “direitos que não devem ser-lhe retirados.

A lista que se segue tem a finalidade de o ajudar a decidir se os outros estão ou não a ajudar. Isto não é para o encorajar a não procurar apoio dos outros, mas o ajudar a distinguir respostas saudáveis de respostas prejudiciais.

Tem o direito de sentir a sua dor individual.

Ninguém sofrerá exactamente da mesma maneira que você. Assim, quando tenta ajudar alguém, nunca tente dizer-lhe como se deve ou não sentir.

Tem o direito de falar sobre a sua dor.

Falar sobre a sua dor ajuda-o de forma saudável. Procure pessoas que estejam disponíveis para o ouvir quando e como quiser falar do seu sofrimento. Se em alguma altura não lhe apetecer falar, tem o direito de manter o silêncio.

Tem o direito de sentir uma variedade de emoções.

Confusão, desorientação, medo, culpa e alívio são apenas algumas das emoções que poderá sentir durante o seu processo de luto. Algumas pessoas poderão dizer-lhe que sentimentos como a raiva, por exemplo, são errados. Não leve esses julgamentos a sério. Tente encontrar ouvintes que não façam julgamentos.

Tem o direito de ser tolerante com os seus limites físicos e emocionais.

Os seus sentimentos de perda e tristeza poderá deixá-lo a sentir-se cansado. Respeite os sinais que o seu corpo e a sua cabeça lhe enviam. Tire um dia de descanso. Faça refeições equilibradas. E não permita que os outros lhe exijam coisas que ainda não está preparado para fazer.

Tem direito do um sentir “sobressaltos de sofrimento”

Às vezes, sem motivo, uma forte onda de sofrimento pode tomar conta de si. Isto pode fazê-lo sentir-se assustado, mas é normal e natural. Tente encontrar alguém que compreenda e o deixe expressar tudo o que sente.

Tem o direito de fazer uso do ritual.

O ritual do funeral é mais do que o reconhecimento da morte de alguém que amou. Ajuda-o a proporcionar-lhe o apoio de pessoas que se preocupam. Mais importante, o funeral é uma forma de expressar todo o seu sofrimento e perda. Se alguém lhe diz que o funeral ou qualquer outro ritual é tolo ou desnecessário, não ouça.

Tem o direito a aceitar a sua espiritualidade.

Se a fé faz parte da sua vida, expresse isso da forma que achar mais indicada para si. Permita-se estar rodeado de pessoas que compreendam e apoiem as suas crenças religiosas. Se se sentir zangado com Deus, encontre para falar alguém que não critique os seus sentimentos de dor e abandono.

Tem o direito a procurar um significado.

Pode perguntar-se, “Porquê ele ou ela faleceu? Porquê desta maneira? Porquê agora?”. Algumas das suas questões terão respostas, outras não. E assiste aos clichés que algumas pessoas lhe dão como respostas. Comentários como “Foi a vontade de Deus” ou “Pense em tudo o que tem a agradecer” não ajudam e não tem que aceitá-los.

Tem o direito de recordar as suas memórias.

As memórias são o legado mais precioso que existe após a morte de alguém que amámos. Poderá sempre recordar. Em vez de ignorar as suas memórias, encontre alguém com quem possa partilhá-las.

Tem o direito de seguir da dor para a recuperação.

A recuperação do luto não é rápida. Lembre-se, o luto é um processo, não um acontecimento. Seja paciente e tolerante consigo próprio a afaste-se das pessoas impacientes e intolerantes consigo. Nem você nem os outros que o rodeiam devem esquecer que a morte de alguém que amamos muda a nossa vida para sempre.

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TENTE RECUPERAR DURANTE O SEU PERÍODO DE FÉRIAS

Os dias de descanso são, muitas vezes, difíceis para alguém que passou pela experiência de perder uma pessoa que amava. Em vez de serem dias de união familiar, de partilhar passam a ser dias que despertam sentimentos de tristeza, perda e solidão.

O Amor Não Acaba com a Morte

Considerando que o amor não termina com a morte, os dias de descanso podem resultar numa nova vaga de dor pessoal – o sentimento de perda é diferente do que é sentido na vivência da rotina diária. A sociedade encoraja-o a viver o espírito dos dias de descanso, mas à sua volta sente sons, imagens e cheiros que o fazem recordar a pessoa que amou e faleceu.

Não existe nenhuma lista de regras para o afastar do sofrimento que sente. Contudo, esperamos as seguintes sugestões o ajudem a lutar contra essa dor durante esta jovial, contudo dolorosa, altura do ano. Enquanto vai lendo este artigo, lembre-se que deve ser tolerante e compassivo consigo próprio, na continuação da sua recuperação.

Fale da Sua Dor

Durante a época de descanso, não tenha medo de expressar os seus sentimentos de dor. Ignorar o seu sofrimento não faz a dor desaparecer e falar sobre isso faz com que se sinta melhor. Encontre familiares e amigos que sejam tolerantes e compreensivos que o ouçam – sem o julgar. Eles farão com que se sinta compreendido.

Seja Tolerante Com os Seus Limites Físicos e Psicológicos

O sentimento de perca provavelmente irá deixá-lo fatigado. O seu baixo nível de energia naturalmente faz com que fique em baixo de forma. Respeite o que o seu corpo e mente lhe dizem. E tente não criar grandes expectativas sobre a sua energia durante a época de descanso.

Elimine o Stress Desnecessário

Pode sentir-se com muito stress, por isso não exija demasiado de si próprio. Não se deve isolar, mas reconheça a necessidade de ter um tempo especial só para si. E perceba também que ao tentar “manter-se ocupado” nem o irá distrair da sua dor como pode aumentar o stress e adiar a sua necessidade de discutir pensamentos e sentimentos relacionados com o seu sofrimento.

Procure Pessoas Confortantes e Encorajadoras

Identifique amigos e parentes que entendam que os dias de descanso pode intensificar o seu sentimento de perda e que lhe permitem falar abertamente sobre os seus sentimentos. Encontre essas pessoas que o aceitam e encorajam a ser feliz e triste.

Fale Sobre a Pessoa Que Faleceu

Inclua o nome da pessoa nas suas conversas dos dias de descanso. Falando francamente será mais fácil para as outras pessoas compreenderem a sua necessidade de lembrar aquela pessoa especial que era uma parte importante na sua vida.

Faça o Que Achar Bom Para Si Durante os Dias de Descanso

A família e os amigos bem-intencionados tentam frequentemente prescrever o que é bom para si durante estes períodos de descanso. Em vez de fazer o que eles planeiam para si, focalize-se no que você quer fazer. Discuta os seus desejos com um amigo em quem confie e que se preocupe. Conversar sobre os seus desejos vai ajudá-lo a clarificar sobre o que quer fazer durante os dias de descanso. Quando se der conta das suas necessidades, compartilhe-as com os seus amigos e família.

Planeie Reuniões Familiares

Decida quais as tradições familiares que quer continuar e quais as que gostaria de começar. Estruture o seu tempo de descanso. Isto ajudará a antecipar as suas actividades, em vez de ir reagindo a tudo o que vai acontecendo. Ser apanhado sem estar à espera pode criar sentimentos de pânico, medo e ansiedade durante todo o ano quando os seus sentimentos de sofrimentos estão à “flor da pele”. Se for você a fazer os planos, dá-lhe espaço de manobra para os alterar se sentir que é o mais apropriado para si próprio.

Guarde as Suas Memórias

As recordações são o maior tesouro que existe depois da morte de alguém que amou. E os dias de descanso, fazem sempre pensar no tempo que passou. Em vez de ignorar essas recordações, partilhe-as com os familiares e amigos. Lembre-se que são recordações tingidas de felicidade e tristeza. Se as recordações são alegres, ria. Se são tristes, chore. Recordações de amor – ninguém poderá tirar-lhe.

Renove a Sua Vontade de Viver

Passe tempo a pensar sobre o significado e propósito da sua vida. A morte de alguém que amou dá-lhe oportunidade para fazer um inventário da sua vida – passado, presente e futuro. A combinação de um dia de descanso e uma perda resulta, naturalmente, num olhar interior e na avaliação da sua situação individual. Faça um bom uso desse tempo para definir as coisa positivas da sua vida.

Expresse a Sua Fé

Durante os dias de descanso, pode encontrar um sentimento de fé renovado ou descobrir um novo jogo de convicções. Junte-se a pessoas que entendem e respeitem a sua necessidade de falar sobre essas crenças. Se a sua fé é importante, pode querer ir a uma cerimónia religiosa especial.

Assim que se aproximam os dias de descanso, lembre-se: sofrimento é uma necessidade e um privilégio. É o resultado de dar e receber amor. Não deixe ninguém tirar-lhe a sua dor. Ame-se a si próprio. Seja paciente consigo. Permita estar rodeado de pessoas que o amem, pessoas atenciosas.

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AJUDE-SE A RECUPERAR QUANDO A SUA CRIANÇA MORRE

Permita-se Sofrer

A sua criança morreu. Está perante a difícil, mas importante, necessidade de dor. Sofrimento é a expressão aberta dos seus pensamentos e sentimentos relativos à morte da sua criança é uma fase essencial para poder recuperar.

Com a morte da sua criança, as suas esperanças, sonhos e planos para o futuro ficam virados de “cabeça para baixo”. Está no inicio de uma viagem amedrontada, dolorosa e opressiva. A morte de uma criança resulta na perda mais profunda. De facto, às vezes os seus sentimentos de sofrimento podem ser tão intensos que não entende o que está acontecendo. Este artigo contem sugestões práticas para o ajudar a orientar-se na sua dor individual.

Perceba Que a Sua Dor é Única

Sua dor é única. A criança única que amou tanto e com quem se preocupou tanto morreu. Ninguém, incluindo o seu cônjuge, sofrerá exactamente da mesmo maneira que você. O seu percurso de luto não só será influenciado pela relação que tinha com a criança, mas também pelas circunstâncias da sua morte, do seu sistema de apoio emocional e do seu suporte cultural e religioso.

Como resultado, sofrerá de forma única e individual. Não tente comparar a sua experiência com a de outros ou tentar supor de quanto tempo o seu sofrimento deveria durar. Considere viver “um dia de cada vez” o que lhe permitirá sofrer ao seu próprio ritmo.

Permita Sentir Confusão

Sentir-se ofuscado ou entorpecido quando a sua criança morre pode ser a parte inicial do seu processo de luto. Pode sentir como se o mundo tivesse desmoronado. Este entorpecimento tem uma função: dá tempo para as suas emoções alcançarem o que a sua cabeça lhe está a dizer.

Pode sentir que está a sonhar – que vai acordar e nada disso é verdade. Estes sentimentos de entorpecimento e descrença ajudam-no a superar da realidade da morte até poder tolerar o que ainda não quer acreditar.

Esta Morte é “Defeituosa”

A ordem mais natural é os pais precederem as suas crianças na morte, você tem que se readaptar a uma nova e ilógica realidade. Esta chocante realidade é que mesmo sendo mais velho e sendo protector e provedor, você sobreviveu e a sua criança não. Isto pode ser muito difícil de compreender e aceitar.

Não só a morte da criança viola o modo da natureza, onde o jovem cresce e substitui o mais velho, mas a sua identidade pessoal está ligada à criança. Pode sentir-se impotente e admirado por não ter conseguido proteger a sua criança da morte.

Espere Sentir Uma Variedade de Emoções

A morte da sua criança pode originar uma variedade de emoções. Confusão, desorganização, medo, raiva e alivio são algumas das emoções que pode sentir. Às vezes, essas emoções alternam-se num curto espaço de tempo. Ou podem manifestar-se em simultâneo.

Por muito estranhas que possam parecer, estas emoções são normais e saudáveis. Permite-lhe aprender com esses sentimentos. E não se surpreenda se sem qualquer razão surgir uma onda de emoção, mesmo nas alturas em que menos espera. Estes ataques de sofrimento podem assustá-lo e deixá-lo a sentir-se dominado. Porem, são uma resposta natural à morte da sua criança. Procura alguém que compreenda os seus sentimentos e que lhe permita que fale sobre eles.

Seja Tolerante Com os Seus Limites Físicos e Psicológicos

Os seus sentimentos de perda e tristeza irão provavelmente deixá-lo cansado. A sua habilidade para pensar claramente e tomar decisões pode estar afectada, assim como o seu nível de energia. Não espere ter a disponibilidade para o seu cônjuge, outras crianças e amigos como a que costuma ter.

Respeite o que o seu corpo e mente lhe dizem. Tire um dia de descanso. Coma refeições equilibradas. Cuidar de si não significa sentir pena de si. Significa que está tentando sobreviver.

Fale da Sua Dor

Expresse o seu sofrimento abertamente. Quando partilha sua dor com outras pessoas, está avançando no processo saudável da recuperação. Ignorar a sua dor não a fará ir embora, falar frequentemente dela faz com que se sinta melhor. Permita-se falar sobre o que lhe vai no coração, e não só do que lhe vai na cabeça. Fazer isto não significa que está a perder o controlo ou a ficar “louco”. É uma fase normal do processo de luto.

Não Aceite Clichés

Clichés – comentários muito usados por algumas pessoas na tentativa de diminuir a dor da sua perda – podem ser extremamente dolorosos ao ouvi-los. Comentários como, “Está a ir muito bem”, “O tempo cura todas as feridas”, “Pense em tudo de bom que possui” ou “Tem de ser forte para os outros”, não são construtivos. Apesar de estes comentários serem bem-intencionados, não tem de os aceitar. Tem todo o direito de expressar o seu sofrimento. Ninguém tem o direito de lhe levar a mal por isso.

Desenvolva Um Sistema de Apoio

Muitas vezes é difícil procurar ajuda e aceita apoio, particularmente quando ainda dói tanto. Mas o auto-apoio mais compassivo neste momento difícil é tentar encontrar um sistema de apoio de familiares e amigos atenciosos que lhe darão a compreensão de que necessita. Procure essas pessoas que o encorajam a reconhecer os seus sentimentos – ao mesmo tempo felizes e tristes.

Um grupo de apoio pode ser uma das melhores maneiras de se ajudar a si próprio. Num grupo pode conversar com outros pais que também tiveram a experiência de perder um filho. O grupo permitirá e encorajará que fale sobre a sua criança como quiser e quando quinzes.

Partilhar a dor não a fará desaparecer, mas pode aliviar o pensamento, a ideia de que está a ficar louco. O apoio funciona de maneiras diferentes para pessoas diferentes – grupos de apoio, conselheiros, amigos, fé – descubra a combinação que melhor funciona consigo e faça uso dela.

Guarde as Suas Recordações

Recordações são um dos melhores legados que existem depois da morte de uma criança. Lembrará sempre. Em vez de ignorar estas recordações, partilhe-as com a sua família e amigos.

Lembre-se que as recordações podem ser tingidas com felicidade e tristeza. Se as recordações são alegres, ria. Se são tristes, chore. Ninguém lhe poderá tirar as suas recordações de amor.

Junte as Lembranças Importantes

Pode querer coleccionar algumas lembranças importantes que o ajudam a guardar as suas recordações. Pode querer escrever um livro de memórias, uma colecção de fotografias representativas da vida da criança. Assim, sempre que quiser pode abrir a caixa de memórias e pode recordar momentos especiais. A realidade da morte da criança não diminui a sua necessidade de ver esses objectos. São uma parte palpável, duradoura da relação especial que teve com a sua criança.

Aceite a Sua Espiritualidade

Se a fé fizer parte da sua vida, expresse-a da maneira que achar mais apropriada. Permita-se estar rodeado de pessoas que entendem e aceitam as suas convicções religiosas. Se estiver zangado com Deus, devido à morte da sua criança, entenda este sentimento como uma fase normal do processo de luto. Procure alguém, que não seja critico, para expressar seus sentimentos e pensamentos.

Pode ouvir “Com fé, não necessita de sofrer”. Não acredite. Apesar de possuir a sua fé pessoal, não quer dizer que não tenha necessidade de expressar os seus pensamentos e sentimentos. Negar a sua dor é um convite a que os problemas cresçam mais dentro de si. Expresse a sua fé mas expresse também a sua dor.

Oriente a Sua Dor e Saúde

A sua capacidade de amar tem que ser restabelecida depois da dor da perda da sua criança. Não poderá recuperar a menos que expresse o seu sofrimento abertamente. Negar a sua dor só aumentará a sua dor e o tornará mais confuso. Aceite a sua dor e recupere.

A reconciliação do seu sofrimento não acontece de forma rápida. Lembre-se, o luto é um processo, não é um acontecimento. Seja paciente e tolerante consigo próprio. Não esqueça que a morte da sua criança muda a sua vida para sempre. Não quer dizer que não volte a ser feliz, mas nunca mais será exactamente como era antes da criança ter falecido.

“A experiência do luto é muito forte. Também a sua capacidade de recuperação é forte. Fazendo o percurso do luto, estará a orientar um sentido renovado sobre o significado da vida”

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AJUDE-SE A SI PRÓPRIO QUANDO UM DOS SEUS PAIS MORRE

A sua mãe ou o seu pai faleceu. Teve uma boa, má ou indiferente relação com ele/a, mas os seus sentimentos por ele/a são bastante fortes. No fundo, todos nós amamos profundamente os nossos pais. E eles amam-nos de forma incondicional.

Agora tem de encarar a mais difícil, mas necessária, dor da perda desta pessoa que tanto significava na sua vida. Sofrer é a expressão aberta dos seus pensamentos e sentimentos sobre a morte. É uma fase essencial para recuperar.

Perceba Que a Sua Dor é Única

O seu sofrimento é único. Ninguém sente exactamente da mesma maneira. A sua experiência será influenciada pelo tipo de relação que teve com o/a seu/a pai/mãe, as circunstâncias da morte, o seu sistema de apoio emocional e as suas crenças culturais e religiosas.

Como resultado, sofrerá à sua maneira e ao seu próprio ritmo. Não tente comparar a sua experiência à de outras pessoas, nem tente supor o tempo que a sua dor irá durar. Considere”viver um dia de cada vez” o que lhe permite sofrer ao seu próprio ritmo.

Espere Sentir Uma Variedade de Emoções

O laço pai/mãe-criança é, talvez, o mais fundamental dos vínculos humanos. Quando o seu pai ou mãe morre, esse laço é estraçalhado. Como resposta a essa perda pode sentir uma variedade de emoções.

Entorpecimento, confusão, medo, culpa, alivio e raiva são alguns dos sentimentos que pode sentir. Às vezes estas emoções serão seguidas umas das outras em curtos espaços de tempo. Ou até mesmo simultaneamente.

Apesar de todos nós termos maneiras de sentir a morte de um dos pais de forma única, algumas das emoções mais comuns incluem:

Tristeza. Provavelmente espera sentir-se triste quando um dos seus pais morre, mas poderá ficar surpreendido com a opressiva profundidade do seu sentimento de perda. É natural que se sinta profundamente triste. Afinal de contas, alguém que amou e que o amou incondicionalmente já não se encontra consigo. Se já não tinha um dos seus pais e agora acabou de perder o que lhe restava, pode sentir-se extremamente triste; tornar-se num “órfão adulto” pode ser uma transição muito penosa. Pode, também, sentir-se triste porque a perda de um dos pais activa perdas secundárias, como a morte de um avô. Permita sentir-se triste e aceite a sua dor.

Alívio. Se a pessoa que faleceu (o seu pai ou a sua mãe) já estava doente antes da sua morte, pode sentir alivio quando ele ou ela finalmente morrem. Este sentimento pode ser particularmente forte se for o responsável pelo cuidado do seu pai ou mãe doente. Isto não significa que não amasse o seu pai ou mãe. Na realidade, o seu alívio após tanto sofrimento é o desenvolvimento natural do seu amor.

Raiva. Se a sua família é abusiva e disfuncional, pode sentir raiva por não ter resolvido isso com o seu pai ou mãe que agora faleceu. A morte dele ou dela podem trazer alguns sentimentos dolorosos à superfície. Também, pode sentir-se furioso porque uma relação de amor da sua vida terminou de forma prematura. Se está com raiva, tente examinar de deriva essa raiva e tente agir de acordo com isso.

Culpa. Se a sua relação com o seu pai ou mãe era rígida, distante ou ambivalente, pode sentir-se culpado quando este morre. Pode desejar ter dito coisas que queria mas nunca disse – ou pode desejar não ter dito as coisas que disse. Pode desejar ter passado mais tempo com ele ou ela. A culpa e o remorso podem ser respostas normais à morte do seu pai ou mãe. Faz parte do percurso do luto essencial para recuperar.

Por muito estranhas que algumas destas emoções pareçam ser, são normais e saudáveis. Deixe sentir tudo o que tiver de sentir, não julgue nem tente reprimir pensamentos e sentimentos dolorosos. E sempre que possa tente encontrar alguém que o ouça e o ajude a explorar a sua dor.

Reconheça o Impacto Dessa Morte no Resto da Família

Se tiver irmão e irmãs, a morte de um dos pais irá, provavelmente, afectá-los de maneira diferente da que está a afectá-lo a si. Afinal, cada um deles teve uma relação única com o seu pai ou mãe, assim cada um deles tem o direito de sentir essa perda da sua própria maneira.

Esta morte pode também incitar conflitos de irmãos. Podem não estar de acordo sobre o funeral, por exemplo, ou discutir sobre as finanças da família. Reconheça que estes conflitos, apesar de desagradáveis, são naturais. Faça um esforço para encorajar o diálogo aberto durante este tempo de stress familiar. Mas pode também verificar que esta morte serviu para o unir mais aos seus irmãos. Se assim for, agradeça essa bênção.

Finalmente, quando existe um dos pais vivo, tente entender o impacto que essa morte teve nele ou nela. A morte de um cônjuge – frequentemente, um companheiro de muitas décadas – significa muitas das coisas que significam para si, filho daquela relação. Isto não significa que seja responsável pelo seu pai ou mão vivo; primeiro, tem de recuperar do seu próprio luto para depois o puder ajudar. Mas significa que você, sendo mais jovem e por isso um membro mais elástico, deve ser paciente e compassivo com o seu pai ou mãe vivo.

Procure Apoio Nos Outros

Talvez a coisa mais compassiva para consigo próprio seja procurar apoio nos outros. Pense: o luto de um dos pais pode ser o trabalho mais duro que alguma vez desenvolveu. E o trabalho duro fica menos pesado quando dividido com outras pessoas.

Se o seu pai ou mãe já eram idosos, pode sentir que os outros não compreendem a sua perda completamente. Na nossa cultura, temos tendência a não valorizar os anciãos. Vemos os idosos como tendo sobrevivido a sua utilidade em vez de os vermos como fonte de uma grande sabedoria, experiência e amor. Assim, quando um ancião morre, dizemos, “Não esteja triste, ele/a viveu uma vida longa e cheia” ou “Já era o tempo de ele/a ir”, em vez de “A sua mãe (ou o seu pai) era uma pessoa muito especial e a sua relação com ela deve ter significado muito para si. Sinto muito a sua perda”.

Nas famílias combinadas ou não tradicionais também podem ser fonte de sofrimento. Se perdeu alguém que apesar de não ser seu pai (ou mãe) biológico foi quem o criou, o seu sofrimento por essa pessoa é natural e necessário. Tem o direito de sofrer pela morte do seu pai (ou mãe) – figura que para si o é verdadeiramente.

Procure pessoas que compreendam a sua perda e o ouçam abertamente os seus sentimentos de dor. Evite pessoas que julgam os seus sentimentos ou, que façam pior, tentem desvalorizá-los. Partilhar a sua dor com os outros não a farão desaparecer mas vai, com o passar do tempo, tornar-se mais suportável. Através do apoio vai ligar-se mais aos outros e fortalecer laços de amizade e amor que dão novamente valor à vida.

Seja Tolerante Com os Seus Limites Físicos e Emocionais

Provavelmente, os seus sentimentos de tristeza e perda deixam-no cansado. A sua capacidade para pensar claramente e tomar decisões pode estar afectada. O seu nível de energia pode estar em baixo. Respeite o que o seu corpo e mente lhe estão a dizer. Descanse bastante. Coma refeições equilibradas.

Permita-se dosear a sua dor, não se force a pensar e a reagir à morte logo que ela acontece. Tem de se recuperar mas também tem de viver.

Aceite a Sua Espiritualidade

Se a fé faz parte da sua vida, expresse-a da maneira que achar mais apropriada.. permita-se estar rodeado de pessoas que compreendam e apoiem as suas crenças religiosas. Se estiver furioso com Deus devido à morte de um dos seus pais, entenda esse sentimento como uma fase normal do processo do luto. Procure alguém para conversar que não seja crítico e que permita que fale sobre os seus pensamentos e sentimentos.

Pode ouvir, muitas vezes, “Quem tem fé, não necessita de sofrer”. Ignore. O facto de ter a sua fé individual não quer dizer que não tem pensamentos e sentimentos. Negar a sua dor é convidar a que os problemas cresçam ainda mais. Expresse a sua fé mas expresse também o seu sofrimento.

Permita a Procura de Significado

Pode perguntar-se “Porque é que a mãe (ou pai) teve de morrer agora?” ou “O que acontece depois da morte?”. Esta procura de significado da vida é uma resposta normal à morte de um dos nossos pais. Na realidade, para se poder recuperar tem que explorar as perguntas importantes para si. E está bem mesmo que não encontre respostas definitivas. O mais importante é permitir a oportunidade a si próprio de pensar (e sentir) isso.

Guarde as Suas Recordações

Apesar do seu pai (ou mãe) já não se encontrar junto a si fisicamente, ele ou ela vivem em espírito, através das suas recordações. Guarde bem essas recordações. Partilhe-as com a família e amigos. Reconheça que algumas dessas recordações são tristes e outras são alegres, mas em qualquer caso, são a única e importante parte que restou da relação que teve com a sua mãe ou pai.

Pode querer guardar tributos importantes dessa relação pai/mãe-filho. Pense na plantação de uma arvore ou a criação de uma caixa de memórias, com fotografias e outras lembranças.

Oriente a Sua Dor e Recuperação

Para voltar a viver e a amar novamente, tem que sofrer completamente. Não recuperará a menos que permita expressar os seus sentimentos de dor abertamente. Ao negar a sua dor fará com que fique mais confuso e subjugado pelo sofrimento. Aceite a dor e recupere-se.

A reconciliação com a dor não acontece rapidamente. Lembre-se, o luto é um processo, não um acontecimento. Seja paciente e tolerante consigo próprio. E nunca esqueça que a morte de um pai ou de uma mãe muda para sempre a nossa vida.

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AJUDE-SE A RECUPERAR QUANDO O SEU CÔNJUGE MORRE

Reconheça a Sua Perda

Poucos acontecimentos são tão dolorosos como a morte do seu cônjuge. Pode não ter a certeza se conseguirá sobreviver a esta opressiva perda. Às vezes, pode não ter a certeza se tem energia e se deseja mesmo recuperar.

Está no início de um percurso que é amedrontado e frequentemente solitário. Este artigo dá algumas sugestões práticas para ajudá-lo na recuperação do seu processo de luto.

Permita-se Sofrer

O seu marido ou esposa faleceu. Era seu companheiro/a, a pessoa que partilhou a sua vida consigo. Neste momento já não sabe quem é, está confuso, o que é natural pois perdeu uma parte de si. Quando alguém que amamos, com quem vivemos, de quem dependemos, morre é normal que fiquemos desorientados.

Agora tem de enfrentar o mais difícil, mas é importante que sofra. Sofrer é a expressão dos seus pensamentos e sentimentos relativamente à morte do seu cônjuge. É uma fase natural da recuperação.

Reconheça Que a Sua Dor é Única

O seu sofrimento é único porque ninguém mais teve a mesma relação que você teve com o seu cônjuge. Esta experiência de luto será influenciada, também, pelas circunstâncias da morte, outras perdas que já experimentou, o seu sistema de apoio emocional, as suas crenças culturais e as suas crenças religiosas.

Assim, sofrerá de modo individual e único. Não tente comparar a sua experiência à de outras pessoas, nem tente supor o tempo que a sua dor irá durar. Considere”viver um dia de cada vez” o que lhe permite sofrer ao seu próprio ritmo.

Discuta os Seus Pensamentos e os Seus Sentimentos

Expresse a sua dor abertamente. Quando partilha o seu sofrimento com os outros para que a recuperação surja. Fale sobre as circunstancias da morte, dos seus sentimentos de perda e solidão, e das coisas especiais que perde ao perder o seu cônjuge. Descreva o tipo de pessoa que o seu marido ou esposa era, sobre as actividades que desenvolveu com ele ou ela, e das recordações que o fazem rir ou chorar.

Faça o que fizer, não ignore a sua dor. Está a sofrer com esta perda, esse sofrimento tem de ser tratado. Fale sobre o que lhe vai no coração, não fale só do que lhe vai na cabeça. Fazer isso não significa que perdeu o controlo ou que está a ficar “louco”. É uma fase normal do processo de luto.

Prepare-se Para Sentir Uma Grande Variedade de Emoções

A experiência de morte de um cônjuge afecta a nossa cabeça, coração e espírito, assim pode sofrer uma diversidade de emoções e deve encarar este facto como uma fase natural do processo de luto. É um processo porque é necessária muita energia, esforço e algum tempo para a sua recuperação. Confusão, desorientação, medo, culpa, alivio e raiva são algumas das emoções que pode sentir. Às vezes, estas emoções seguem-se umas atrás das outras em curtos espaços de tempo ou podem mesmo surgir em simultâneo.

Por muito estranhas que estas emoções possam parecer, elas são normais e saudáveis. Permita aprender com estes sentimentos. E não fique surpreendido, se de repente, sem qualquer razão aparente se sentir invadido por uma dessas ondas de emoções. Estes surtos de emoções podem amedrontá-lo e fazê-lo sentir subjugado. No entanto, são uma resposta natural à morte de alguém amado. Procure alguém que compreenda os seus sentimentos e que lhe permita falar deles abertamente.

Procure Um Sistema de Apoio

Procurar e aceitar o apoio de outros é difícil, em particular quando está a sofrer tanto. Mas a auto-acção mais compassiva que pode ter para consigo mesmo, neste momento difícil, é encontrar um sistema de apoio constituído por familiares e amigos atenciosos que lhe darão toda a compreensão que necessita. Procure essas pessoas que “caminharão consigo”, não “à sua frente” nem “atrás de si”, durante o seu processo de luto. Descubra se existe algum grupo de apoio na sua zona de residência e se gostaria de o frequentar. Não existe substituto para a aprendizagem com outras pessoas que passaram pela experiência da de um cônjuge.

Evite pessoas críticas e que não dão valor ao seu sofrimento. Podem dizer “O tempo cura todas as feridas”, “Vai superar isso” ou “Tem de manter a cabeça levantada”. Apesar de estes comentários poderem ser bem intencionados, não tem o dever de aceitá-los. Encontre pessoas que o encorajam a ser você mesmo e a reconhecer os seus sentimentos – ao mesmo tempo felizes e tristes. Tem o direito de expressar o seu sofrimento, ninguém tem o direito de desvaloriza-los.

Seja Tolerante Com os Seus Limites Físicos e Psicológicos

Provavelmente, os seus sentimentos de perda e tristeza irão deixá-lo fatigado. A sua capacidade para pensar claramente e para tomar decisões pode estar prejudicada, assim como o seu nível de energia também pode estar baixo. Respeito o que o seu corpo e mente lhe dizem. Descanse. Coma refeições equilibradas.

Pergunte a si mesmo: Estarei a ter os mesmos cuidados comigo que teria com um bom amigo? Estarei a ser muito duro comigo próprio? Pode pensar que deveria ser mais capaz, ter mais controlo e “superar melhor” a sua dor. Estas são expectativas erradas e podem complicar a sua recuperação. Pense deste modo: Tratar de si não significa ter pena de si próprio; significa que utiliza a sua capacidade de sobrevivência.

Leve o Tempo Que Necessita Com os Pertences do Seu Cônjuge

Você, e apenas você, deve decidir o que fazer com as roupas e objectos pessoais do seu cônjuge. Não se force a tomar essa decisão até achar que já está pronto para a tomar. Leve o tempo que achar necessário. Para já, pode não ter energia ou disponibilidade emocional para fazer seja o que for com esse pertences.

Lembre-se que algumas pessoas desejam que se restabeleça rapidamente e por isso querem que tome logo a decisão sobre o que fazer com esse pertences. Não os deixe tomar essa decisão por si. Não o fará sofrer mais deixando os pertences do seu cônjuge no lugar onde sempre estiveram. A vantagem é, quando tiver energia para o fazer fará. Mais uma vez, só você pode determinar o seu próprio tempo.

Seja Compassivo Consigo Durante os Dias de Descanso, Aniversários e Ocasiões Especiais

Provavelmente, sentirá que o seu cônjuge lhe faz mais falta em alguns dias do que em outros. Dias com especial significado para si enquanto casal, como o seu dia de aniversário, o aniversário do seu cônjuge, o vosso aniversário de casamento ou nas férias, podem ser dias mais difíceis para si.

Estes dias enfatizam a ausência do seu marido ou da sua esposa. O recordar das emoções dolorosas pode deixá-lo a senti-las como um eco. Aprenda com estas emoções e nunca tente ignorá-las. Se pertencer a um grupo de apoio, talvez tenha um amigo especial que mantenha um contacto próximo consigo durante esses dias naturalmente difíceis.

Guarde as Suas Recordações

As recordações são o melhor legado depois da morte do seu cônjuge. Guarde bem as recordações que o confortam, mas explore também as que o aborrecem. Mesmo as recordações difíceis podem ajudá-lo na recuperação. Partilhe essas recordações com pessoas que o ouçam e apoiam. Reconheça que algumas dessas recordações o fazem rir e outras o fazem chorar. Em qualquer dos casos, elas são uma parte duradoura no tempo da relação que teve com uma pessoa muito especial na sua vida.

Pode também encontrar algum conforto encontrando uma maneira de comemorar a vida que teve com o seu cônjuge. Se ele ou ela gostava da natureza, pode plantar uma árvore pois ele ou ela teria gostado. Se o seu cônjuge gostava de uma música em especial, coloque-a a tocar enquanto o recorda. Ou, pode fazer um livro com fotografias e memórias a retratar a sua vida ao lado do seu cônjuge. Lembre-se – recuperar do sofrimento não significa esquecer o seu cônjuge nem esquecer a vida que partilhou ao lado dele/a.

Aceite a Sua Espiritualidade

Se a fé faz parte da sua vida, expresse-a da maneira que acha mais apropriada. Esteja rodeado de pessoas que compreendem e apoiam as suas convicções religiosas. Se está chateado com Deus porque o seu cônjuge faleceu, aceite este sentimento como uma fase natural do seu processo de luto. Encontre alguém para falar dos seus sentimentos e sentimentos que não critique mas que o ouça.

Pode ouvir, “Quem tem fé, não necessita de sofrer”. Ignore. O facto de ter a sua fé individual não quer dizer que não tem pensamentos e sentimentos. Negar a sua dor é convidar a que os problemas cresçam ainda mais. Expresse a sua fé mas expresse também o seu sofrimento.

Oriente a Sua Dor e Recuperação

Para restabelecer a sua capacidade de amar, tem que sofrer completamente a morte do seu cônjuge. Não existe um tempo pré-estabelecido para terminar o seu processo de luto. De facto, não “recupera” do sofrimento, vive com ela enquanto tiver de viver.

Lembre-se, o luto é um processo, não um acontecimento. Seja compassivo consigo próprio, renuncie aos seus velhos papeis e estabeleça novos papéis. Não, a sua vida não é a mesma, mas merece viver apesar de se lembrar para sempre da pessoa que amou.

A experiência do luto é poderosa. A sua capacidade de recuperar também é. Ao fazer todo o percurso do luto, renovará a sua vontade de viver e orientará o que pretende da viva.

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PORQUÊ O RITUAL DO FUNERAL É IMPORTANTE?

“Quando as palavras são inadequadas, crie um ritual”
Anónimo

Rituais são, na maioria das vezes, cerimónias simbólicas que nos ajudam a expressar os nossos sentimentos e pensamentos mais profundos junto dos nossos familiares e amigos. O Baptismo celebra o nascimento da criança e sua aceitação na comunidade Cristã. As festas de aniversário honram a pessoa que faz anos e serve para festejar mais um ano de vida de uma pessoa que amamos. O Casamento tem como função afirmar o amor entre duas pessoas publicamente e abençoar essa união.

Também o ritual funerário é um meio simbólico, tradicional e público de expressar os nossos pensamentos, sentimentos e convicções acerca da morte de uma pessoa que amamos. Rica em história e abastada com simbolismo, a cerimónia funerária ajuda-nos a reconhecer a realidade da morte, dá valor à vida do defunto, encoraja a expressão da dor que está consistente com os valores culturais, provê apoio a quem sofre, permite aceitar a fé e as convicções sobre a vida e a morte, e oferece a continuação e esperança para viver.

Infelizmente, na nossa cultura que tem tendência para evitar o sofrimento (o luto) o significado do funeral é esquecido. É preocupante que as famílias, as pessoas e, por fim, a própria sociedade sofrerão se não reinvestirmos no ritual funerário. Este artigo explora os benefícios do sofrimento-recuperação e dos benefícios do funeral com esta tendência de “desritualização”.

Para a recuperação existem seis fases do processo de luto para a recuperação da dor. Ou seja, as pessoas despojadas de alguém que amavam têm necessariamente de passar por cada uma destas fases, com todo o seu sofrimento, com o amor e a compaixão que despertam à sua volta, para poderem recuperar do luto e encontrar um novo significado para a vida e continuar a viver.

Como pode ajudar um funeral tradicional a ultrapassar estas seis fases do processo de luto:

Fase do Luto 1. Reconheça a realidade da morte.

Quando alguém que amamos morre, temos de reconhecer abertamente a realidade e finalidade da morte se queremos recuperar da nossa dor. Normalmente, aceitamos essa realidade em duas fases. Primeiro reconhecemos a morte na nossa cabeça; dizemos que alguém que amávamos faleceu e, pelo menos intelectualmente, reconhecemos de facto a morte. Com o decorrer dos dias e semanas seguintes, suavemente, começamos a reconhecer a realidade da morte nos nossos corações.

As cerimónias funerárias podem ser uma grande ajuda para a “consciencialização” da morte. Intelectualmente, os funerais ensinam-nos que alguém que amamos faleceu, embora até ao momento do funeral nos tenhamos negado esse facto. Quando contactamos a agência funerária, marca-se uma hora para o serviço, planeia-se a cerimónia, vê-se o corpo, escolhemos a roupa e os acessórios para vestir o corpo, não podemos evitar reconhecer a morte da pessoa que amávamos. Quando vemos a urna baixar o solo, somos testemunhas da morte.

Fase do Luto 2. Oriente a dor da perda.

O nosso reconhecimento da morte progride do “entender na cabeça” para o “entender no coração”, começamos por sentir a dor da perda – outra necessidade que quem sofre a morte de alguém que amava para poder recuperar. O luto saudável significa expressar os nossos pensamentos e sentimentos dolorosos, e as cerimónias funerárias são saudáveis porque nos permitem isso.

As pessoas têm tendência a chorar, em lamurio ou em soluços, nos funerais porque os funerais fazem-nos concentrar no facto da morte e nos nossos sentimentos, muitíssimo dolorosos, sobre essa morte. Durante, pelo menos, uma ou duas horas – durante mais tempo para a pessoa que planeou a cerimónia ou recebe as pessoas – os que assistem ao funeral não são capazes de intelectualizar ou distanciarem-se da sua dor do luto. Para nosso benefício, os funerais criam-nos um local onde se aceita que expressemos os nossos sentimentos mais dolorosos. São talvez o único local e tempo, durante o qual a sociedade perdoa a expressão aberta da nossa tristeza.

Fase do Luto 3. Lembre a pessoa que faleceu.

A recuperação no luto, temos de trocar a relação com a pessoa que faleceu de uma presença física para uma memória. O funeral tradicional encoraja-nos a efectuar essa traça, para isso é necessário um tempo e lugar necessários para lembrarmos os momentos partilhados – bons e maus – com a pessoa que faleceu. Como em nenhum outro tempo antes e depois da morte, o funeral convida-nos a focarmo-nos na relação única que tivemos, com aquela pessoa especial e a partilhar essas recordações com os outros.

Nos funerais tradicionais, no elogio tenta-se realçar os principais êxitos na vida do defunto e as suas características especiais. Isto é útil aos que sofrem, pois tende a incitar recordações íntimas, individuais. Mais tarde, depois da própria cerimónia, muitos dos que estão de luto compartilham informalmente recordações da pessoa que faleceu. Também isto é importante. Ao longo do nosso percurso de luto, à medida que mos tornamos mais capazes de “contar uma história” – da morte em si, das nossas recordações da pessoa que morreu – mais perto estaremos da recuperação da perda. Além disso, o partilhar as recordações no funeral afirma o valor que a pessoa que faleceu tinha para nós, e legitima a nossa dor. Muitas vezes, também, as memórias que outros partilham connosco no funeral no funeral, são recordações que nunca tínhamos ouvido antes. Isto mostra-nos coisas novas sobre a pessoa que faleceu e permite recordar aquela vida que sempre apreciamos.

Fase do Luto 4. Desenvolva uma nova auto-identidade.

Outra fase necessária da recuperação do luto é o desenvolvimento de uma nova auto-identidade. Somos todos seres sociais cujas vidas têm determinado significado de acordo com a relação que estabelecemos com os que nos rodeiam. Eu não sou apenas Sandra, mas uma filha, uma irmã, uma esposa, uma mãe, uma amiga, etc. quando alguém que me é próximo morre, a minha auto-identidade que estava definida muda.

O funeral ajuda-nos a iniciar este difícil processo de desenvolvimento de uma nova auto-identidade porque nos oferece um local social para reconhecimento público dos nossos novos papéis sociais. Se é pai ou mãe de uma criança e essa criança morre, o funeral marca o início da sua vida como um pai despojado (no sentido físico; você terá sempre essa relação em memória). Outras pessoas assistem ao funeral como efeito de declaração,”Nós reconhecemos que a sua identidade mudou, mas queremos que saiba que nos preocupamos consigo”. Por outro lado, em situações em que não existe funeral, o grupo social não sabe como relacionar-se com a pessoa cuja identidade mudou e frequentemente essa pessoa é socialmente abandonada. Alem disso, ter os familiares e amidos encorajadores ao nosso lado durante o funeral ajuda-nos a percebera nossa existência. Este assunto da auto-identidade é bem ilustrado por um comentário habitual:”Quando ele (ou ela) morreu, senti como se uma parte de mim morresse também”.

Fase do Luto 5. A procura de significado.

Quando alguém que amamos morre, naturalmente questionamo-nos sobre o significado da vida e morte. Porque morreu esta pessoa? Porquê agora? Porquê deste modo? Porque tem de doer tanto? O que acontece depois da morte? Para podermos recuperar, temos de explorar estas perguntas. De facto, temos de questionar os “Porque” para decidir porque devemos continuar a viver antes mesmo de nos perguntarmos como vamos nós viver. Isto não significa que encontraremos respostas definitivas, mas que precisamos da oportunidade para pensar (e sentir) essas coisas.

Num nível mais fundamental, o funeral reforça um facto real na nossa existência: nós morremos. Tal como viver, morrer é um processo natural e inevitável. (Temos tendência a não reconhecer isto). Assim, o funeral ajuda-nos a procurar um significado na vida e morte da pessoa que faleceu como também nas nossas próprias vidas e mortes iminentes. Cada funeral torna-se num ensaio para o nosso próprio funeral.

Os funerais são um modo de demonstrar o peso das nossas convicções e valores sobre a vida e sobre a morte como indivíduos, e como comunidade. O verdadeiro motivo do funeral é demonstrar o valor que aquela morte tem para nós. Para se viver uma vida cheia e tão saudável quanto possível, assim deveria ser.

Fase do Luto 6. Receba apoio contínuo dos outros.

Como dissemos, os funerais são um meio público de expressar os nossos sentimentos e convicções sobre a morte de alguém que amamos. De facto, os funerais são um local publico para oferecer apoio a outros e ser apoiado quando sofre, no funeral e no futuro. Os funerais funcionam como uma declaração social: “Venha apoiar-me”. Quem escolhe não ter funeral está a declarar “Não venha apoiar-me”.

Nos funerais demonstramos precisar de apoio físico, também. Infelizmente, a nossa sociedade não é muito afectiva (fisicamente), mas nos funerais permitem-nos tocar, abraçar, confortar. Novamente, as palavras são inadequadas assim demonstramos o nosso apoio fisicamente. Este apoio físico é um dos aspectos de recuperação mais importantes nas cerimónias funerárias.

Finalmente, e simplesmente, os funerais servem como um lugar de ajuntamento social para quem está triste e a sofrer. Quando nos preocupamos com alguém que faleceu e com os membros da sua família, assistimos ao seu funeral. A nossa presença física é o maior apoio que se pode dar. Ao irmos ao funeral estamos a demonstrar aos seus familiares que não estão sós no sofrimento.

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AJUDAR UM AMIGO EM LUTO

Um amigo passou pela experiência da morte de alguém que amava. Quer ajudar, mas não sabe como fazê-lo. Este artigo pretende guiá-lo de modo a transformar os seus cuidados e preocupações em acções positivas.

Escute o Seu Coração

Ajudar começa com a sua capacidade para ser um ouvinte activo. A sua presença física e o desejo de escutar sem criticas nem julgamentos são ferramentas para poder ajudar. Não se preocupe tanto com o que deve dizer. Concentre-se apenas a ouvir as palavras que estão a ser compartilhadas consigo.

O seu amigo pode repetir a história da morte vezes sem conta. Ouça-o sempre atentamente. Compreende que esta repetição faz parte do processo de luto do seu amigo para poder recuperar. Deve, simplesmente, ouvir com empatia.

Seja compassivo

Dê permissão ao seu amigo para expressar os seus sentimentos e pensamentos sem o medo de critica. Aprenda com o seu amigo: não dê instruções nem crie expectativas de como ele ou ela deve responder. Nunca diga, “Sei como te sentes”. Não sabe. Pense no seu papel de ajuda como “caminhar com”, não como “caminhar atrás” nem “caminhar à frente” de quem está em luto.

Permita que o seu amigo sinta toda a mágoa, tristeza e dor que está a sentir. Sofra com o seu amigo, mas nunca tente acabar com o sofrimento dele/a. E, reconheça que as lágrimas são uma expressão natural e normal da dor associada à morte.

Evite Clichés

Existem palavras, principalmente clichés, que podem ser muito dolorosos de ouvir para o seu amigo em luto. Clichés são, normalmente, comentários que pretendem diminuir a dor da perda oferecendo soluções simples para realidades difíceis. Comentários como, “Estás a aguentar-te muito bem”, “O tempo cura todas as feridas”, ou ainda, “Pensa nas coisas boas que possuis”, “Deves ficar contente por ele (ou ela) já não estar a sofrer”, não são construtivos. Pelo contrário, magoam e fazem com que o processo de luto do seu seja mais difícil.

Compreenda a Singularidade da Dor

Lembre-se que o sofrimento do seu amigo é único. Ninguém sente a morte de alguém que amou exactamente da mesma maneira. É possível falar com outras pessoas, que também passaram por situações idênticas, sobre algumas fases semelhantes, mas todas as pessoas são diferentes e passaram por experiências de vida únicas.

Assim, a experiência do luto é única, seja paciente. O processo de luto leva tempo, por isso permita que o seu amigo ou amiga tenha o seu tempo para recuperar. Não o force. Não o critique. E, entretanto, deve criar oportunidades para a interacção pessoal, não force o seu amigo que resiste ao luto.

Ofereça Ajuda Prática

Cozinhar, lavar a roupa, limpar a casa ou atender o telefone são algumas das tarefas que pode desempenhar como forma de demonstrar cuidado. E, tal como a sua presença, o apoio é necessário na altura da morte e nas semanas e meses seguintes.

Mantenha O Contacto

A sua presença no funeral é importante. Como ritual, o funeral proporciona uma oportunidade para expressar o seu amor e preocupação neste momento difícil. Prestando homenagem a uma vida que agora faz parte do passado, também tem a oportunidade de apoiar a família e amigos em luto. No funeral, um toque na mão, uma troca de olhar ou até mesmo um abraço diz mais do que qualquer palavra que pudesse dizer.

Não vá apenas ao funeral e desapareça. Permaneça disponível nas semanas e meses seguintes. Lembre-se que o seu amigo pode precisar mais de si mais tarde do que na altura do funeral. Uma breve visita ou um telefonema são apreciados nos dias seguintes.

Escreva Um Cartão Pessoal

Os cartões de condolências expressão a sua preocupação, mas não há substituto para as suas palavras escritas de forma pessoal. O que deve dizer? Partilhe uma boa memória sobre a pessoa que faleceu. Relate as qualidades que essa pessoa tinha para si. Estas palavras serão um presente de amor ao seu amigo em luto, palavras que serão lidas e lembradas durante anos.

Use o nome da pessoa que faleceu no seu cartão e quando falar com o seu amigo. Ouvir esse nome pode ser reconfortante, e confirma que não esqueceu essa pessoa especial que significou tanto na vida do seu amigo.

Tenha Atenção aos Dias de Descanso e Aniversários

Para o seu amigo, as ocasiões especiais como os dias de descanso e os aniversários podem ser momentos difíceis. Estas ocasiões enfatizam a ausência da pessoa que faleceu. Respeite essa dor como uma fase natural do processo de luto. Aprenda com isso. E, muito importante, nunca tente diminuir essa dor.

O seu amigo e a família da pessoa que faleceu, ás vezes, desenvolvem tradições especiais para esses dias. Qual o seu papel? Talvez possa ajudar na organização dessa homenagem ou aparecer se foi convidado.

Compreender a Importância da Perda

Lembre-se que a morte de alguém amado é uma experiência cortante. Como resultado dessa morte, a vida do seu amigo está agora em reconstrução. Aprecie o significado dessa perda e seja sensível e compassivo nos seus esforços para ajudar.

Apesar das directrizes anteriores serem úteis, é importante saber que ajudar um amigo em luto não é tarefa fácil. Pode ter que demonstrar a preocupação, o tempo e o amor que nunca imaginou possuir. Mas este esforço terá muito valor. Ao “caminhar com” o seu amigo em luto, está a oferecer uma das coisas mais preciosas da vida – você.

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AJUDAR UM AMIGO QUE ESTÁ A MORRER

O seu amigo está a morrer. Este momento é extremamente difícil não apenas para si, mas também para o seu amigo e para todos os que se preocupam com ele. este artigo tenta guiá-lo de modo a poder ajudar o seu amigo – e a si próprio – nos últimos dias da sua vida.

Quando Um Amigo Está a Morrer

Alguém com quem se preocupa muito está a morrer. Confrontar-se com esta difícil realidade é o primeiro passo para poder ajudar o seu amigo que está a morrer.

Provavelmente, irá aceitar com o passar do tempo o facto da morte iminente do seu amigo, e pode não aceitar até ao momento da morte dele em que finalmente reconhece a realidade. Isto é normal.

Por agora, tente aceitar a condição médica real do seu amigo, apenas na sua cabeça. Mais tarde aceitará no seu coração.

Esteja Presente

Talvez a maior alegria que pode dar ao seu amigo que está a morre seja a sua presença. Em particular se vive perto, tem a oportunidade para demonstrar o seu apoio ao seu lado, literalmente, quando o seu amigo mais precisa de si. Visite o seu amigo no hospital ou em casa não apenas uma vez, mas ao longo dos dias que lhe restam. Alugue um filme e leve pipocas. Jogue às cartas ou ao Monopólio. Sente-se e assista ao pôr-do-sol com ele. A sua simples presença transmitirá ao seu amigo, “eu estou disposto a percorrer esta estrada difícil contigo e a enfrentar tudo o que aí vem”.

Respeite a necessidade de estar sozinho do seu amigo, e perceba que a deterioração da sua condição física poderá deixá-lo com pouca energia. Pode não querer companhia sempre.

Seja Um Bom Ouvinte

O seu amigo pode discutir abertamente a sua doença ou evitar falar nela. A chave é seguir o seu amigo. Nunca esqueça que o seu amigo sofre esta doença de maneira única.

Permita que o seu amigo fale da sua doença ao seu próprio ritmo. E enquanto puder ser um ”porto seguro” para o seu amigo expressar os seus sentimentos e pensamentos, não o force a nada.

Ao ouvi-lo, estará a ajudar o seu amigo durante este período difícil. A sua presença física e o seu desejo de ouvir sem criticar são as ferramentas para puder ajudar. Não se preocupe muito com o que deve dizer. Concentre-se apenas em ouvir o que o seu amigo está a compartilhar consigo.

Aprenda Sobre a Doença do Seu Amigo

“As pessoas podem lutar contra o que conhecem, mas não podem lutar contra o que não conhecem”, costuma-se dizer. Estará mais preparado para ajudar o seu amigo se aprender mais sobre a doença dele. Consulte livros de referência médica na sua biblioteca local. Peça informações a associações educacionais como a Liga contra o Cancro ou `Fundação de Cardiologia. Com o consentimento do seu amigo, pode também falar com o médico dele.

Se estiver bem informado sobre a doença e provável causa, será um ouvinte melhor e mais compreensivo sempre que ele quiser falar. Também estará mais preparado para a realidade das ultimas fases da doença.

Seja Compassivo

De o seu consentimento ao seu amigo para ele lhe poder falar dos seus sentimentos e pensamentos sem medo de criticas. Aprenda com o seu amigo: não dê instruções nem crie expectativas de como ele ou ela deve responder. Pense no seu papel de ajuda como “caminhar atrás”, não como “caminhar com” nem “caminhar à frente” de quem está a morrer.

Nunca diga, “Sei como te sentes”. Não sabe. Comentários como, “É a vontade de Deus” ou “deves estar contente com a vida maravilhosa que tiveste” não ajudam. Pelo contrário, magoam e faz com que a experiência da doença terminal do seu amigo se torna mais difícil. Se sente necessidade de consolar o seu amigo, diga-lhe simplesmente que o ama.

Ofereça Ajuda Prática

Provavelmente o seu amigo precisa de ajuda nas actividades diárias da vida. Cozinhar, lavar a roupa, limpar a casa ou levar o seu amigo ao hospital para o tratamento são algumas das tarefas que pode desempenhar para demonstrar cuidado.

Mantenha-se em Contacto

Se não pode visitar o seu amigo devido à distância ou outras circunstâncias, escreva uma carta. O que deve escrever? Escreva-lhe o quanto ele significa para si. Lembre alguns momentos divertidos que passaram juntos. Prometa voltar a escrever rapidamente – e cumpra a promessa. Evite enviar um cartão comemorativo genérico a não ser que o personalize com uma mensagem sincera.

Se não gosta mesmo de escrever, pense em enviar uma cassete vídeo, ou áudio, gravada com mensagens ao seu amigo. Ou mais simples ainda, telefone.

Procure Apoio Para Si Próprio

Alguém de quem gosta muito está a morrer e não tarda que isso aconteça. Você também precisa de apoio, para explorar os seus próprios sentimentos relativamente à doença e às mudanças que vê no seu amigo. Encontre alguém com quem possa falar sobre os seus próprios sentimentos e que não o julgue. E não se esqueça de cuidar de si mesmo. Coma refeições equilibradas. Descanse. Faça exercício. Passe algum tempo a fazer coisas que o deixam feliz.

Muitos hospitais possuem grupos de apoio para os amigos e familiares de pessoas em fase terminal – para antes e após a morte. Tire proveito desses recursos de apoio.

Perceba as Suas Próprias Limitações

Nem todas as pessoas conseguem oferecer uma amizade contínua, encorajadora a um amigo que está a morrer. Se sente simplesmente que não consegue lidar com a situação, tente perceber a sua resistência e aprenda com ela. Pergunta, “Porque é que estou tão incomodado com isto?” ou “O que posso fazer para me tornar um amigo mais espontâneo, compassivo nos momentos de necessidade?”.

Porem, não evite completamente o seu amigo. As pessoas com doenças terminais são, frequentemente, abandonadas pelos seus amigos e familiares, sentindo-se sozinhas e deprimidas. Em vez da visita, telefone-lhe. Escreva se não consegue telefonar. Deixe que o seu amigo perceba que é uma situação difícil para si ao mesmo tempo demonstre-lhe que os medos e necessidades do seu amigo são mais importantes.

Por outro lado, não se torne obcecado pela doença do seu amigo ou que deve ser o único apoio do seu amigo. Não o sobrecarregue emocionalmente.

Aceite a Sua Própria Espiritualidade

Se a fé faz parte da sua vida expresse a sua fé do modo que acha mais indicado durante este momento difícil. Reze pelo seu amigo e família se a oração é importante para si. Esteja rodeado por pessoas que aceitam e compreendem a sua crença religiosa. Se está zangado com Deus devido À doença do seu amigo, não faz mal. Encontre alguém com quem possa expressar os seus sentimentos e pensamentos sem medo de ser julgado.

Procure a Esperança e Recupere

Depois da morte do seu amigo, tem de fazer o luto para puder voltar a amar e a viver novamente. Não pode recuperar completamente a menos que expresse o seu sofrimento abertamente. Negar a sua dor, antes e depois da morte, só fará com que fique mais confuso e subjugado à dor. Aceite a sua dor para que possa recuperar.

A recuperação do luto não acontece rapidamente. Lembre-se, o luto é um processo, não um acontecimento. Seja paciente e tolerante consigo mesmo. Não se esqueça que a morte de alguém que amou muda a sua vida para sempre.

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AJUDAR AS CRIANÇAS A COMBATER A DOR

Os adultos sofrem. Também as crianças. Tanto para o adulto como para a criança, a experiência do luto significa “sentir”, não apenas “compreender”. Qualquer pessoa com idade suficiente para amar tem idade suficiente para sofrer. Mesmo antes das crianças falarem, elas sofrem quando alguém que amam morre. E estes sentimentos sobre a morte tornam-se parte das suas vidas para sempre.

Os adultos atenciosos, sejam os pais, familiares ou amigos, podem ajudar as crianças durante este período. Se os adultos são pessoas espontâneas, honestas e amorosas, a experiência de perda de alguém que se ama pode ser uma possibilidade para as crianças aprenderem sobre os sentimentos de alegria e dor que advém do amor profundo pelos outros.

Falar da Morte com Crianças

Os adultos têm dificuldades em enfrentar a morte, por vezes. Assim, iniciar discussões abertas sobre a morte com crianças pode ser difícil. Ainda existem adultos que estão disponíveis para confrontar, explorar e aprender sobre os seus próprios medos pessoais da morte e podem ajudar as crianças quando alguém de quem elas gostavam morre. Como resultado, as crianças podem formar “uma atitude saudável perante as questões da vida e da morte”.

Quando a morte acontece, as crianças necessitam de ser cercadas de sentimentos calorosos, de aceitação e compreensão. Adultos atenciosos podem proporcionar este apoio.

O Papel de Um Adulto Atencioso

A maneira como os adultos reagem à morte de alguém que amam tem grande efeito na maneira como as crianças reagem à morte. Às vezes, os adultos não querem falar sobre a morte, tentando proteger as crianças, tentando poupar-lhes a dor e a tristeza.

Contudo, a realidade é muito simples: as crianças sofrem da mesma maneira.

Os adultos que estão dispostos a falar abertamente sobre a morte com as crianças ajudam as crianças a entenderem que o luto é um sentimento natural quando alguém que amamos morre. As crianças precisam dos adultos para terem a certeza de que é correcto estar triste e chorar, e que a dor que estão a sentir não durará para sempre.

Quando ignora, as crianças podem sofrer mais por se sentirem isoladas do que pela ocorrência da morte em si mesma. Pior ainda, sentem-se sozinhas com essa dor.

Encoraje Perguntas Sobre a Morte

Quando alguém amado morre, os adultos devem ser abertos, sinceros e amorosos. Pacientemente, devem responder às perguntas sobre a morte com uma linguagem que as crianças entendam.

Os adultos não devem preocupar-se em ter todas as respostas. As respostas não são tão importantes como o facto responderem às perguntas demonstrando que se preocupam.

As crianças podem repetir as mesmas perguntas sobre a morte vezes sem conta. É natural. Repetir perguntas e receber respostas ajuda-os a compreenderem e ajustarem a perda de alguém amado.

Estabeleça Uma Relação de Ajuda

Responda às crianças de forma calorosa e sensível. Esteja atento ao tom de voz; mantenha o contacto visual quando fala sobre a morte. O que é comunicado sem palavras tem tanto significado para as crianças que o que é dito de facto.

Demonstre às crianças que os sentimentos delas serão aceites. Apesar de alguns dos seus comportamentos possa parecer estranho, os adultos precisam compreender as crianças durante este momento de stress, sem julgamentos ou críticas ao seu comportamento.

As crianças precisam sentir que os adultos querem entender o ponto de vista deles. Este compromisso para uma criança quer dizer, “És muito valioso; os teus sentimentos são respeitados”.

Compartilhe Convicções Religiosas com a Criança

Frequentemente, os adultos desejam saber se devem compartilhar as suas crenças religiosas sobre a morte com as crianças. É um assunto complexo; não existe nenhuma directriz de regras sobre este assunto.

Lembre-se que os adultos só devem compartilhar com as crianças os conceitos em que acreditam verdadeiramente. Qualquer explicação religiosa sobre a morte deve ser descrita em situações concretas; as crianças têm dificuldade em perceberem conceitos abstractos. A certeza teóloga da informação é, neste momento, menos importante que o facto do adulto estar a comunicar com amor.

Permita Que as Crianças Participem

Crie uma atmosfera que transmita às crianças que os seus pensamentos, medos e desejos serão reconhecidos quando alguém amado morre. Este reconhecimento inclui tudo – até o planear dos arranjos para o funeral.

Apesar de as crianças não compreenderem completamente as cerimónias da morte, o facto de estarem envolvidos no planeamento do funeral estabelece um sentimento de conforto e a compreensão de que a vida acabou para alguém que amavam.

Já que o funeral de alguém amado é um acontecimento importante, as crianças devem ter a mesma oportunidade de prestar homenagem como qualquer outro membro da família. Deve ser “permitido” assistir, mas não “forçado”. Explique o objectivo do funeral: como um momento para homenagear a pessoa que faleceu; como um momento para ajudarem-se, confortarem-se e apoiarem-se uns aos outros e um momento para certificarem-se que a vida continua.

Ver o corpo de alguém amado que faleceu também pode ser uma experiência positiva. Dá uma oportunidade para dizer “Adeus” e ajuda as crianças a aceitarem a realidade da morte. Tal como na permissão de assistir ao funeral, porém, não devem ser forçados a ver o corpo.

Crescer com o Luto

O luto é complexo. Varia de criança para criança. Os adultos devem ser atenciosos e comunicar às crianças que este sentimento não deve ser escondido ou sentido como vergonhoso. Pelo contrário, a dor é uma expressão natural do amor que se sente por uma pessoa que faleceu.

Como um adulto atencioso, o desafio é claro: as crianças não escolher entre sofrer ou não sofrer, mas os adultos podem escolher – ajudar ou não as crianças a lutarem contra a tristeza.

Com carinho e compreensão, os adultos podem guiar as crianças durante estes momentos vulneráveis e ajudar a torná-la numa experiência valiosa para o seu crescimento e desenvolvimento pessoal.

Sugestão de Directrizes Sobre as Crianças e o Luto

Seja um bom observador. Veja como se comporta cada criança. Não apresse explicações. Normalmente, é melhor questionar as perguntas do que responder rapidamente.

Quando alguém amado morre, não espere reacções obvias e imediatas das crianças. Seja paciente e esteja disponível.

As crianças também fazem parte da família. E a confiança vem através da presença de pessoas que amamos. As crianças sentem segurança no cuidado com abraços e ternura.

Ao explicar a morte de alguém amado a uma criança, utilize uma linguagem simples e directa.

Seja honesto. Expresse os seus próprios sentimentos em relação à morte. Assim, as crianças terão um modelo para expressar os seus próprios sentimentos. Chorar também é aceite.

Permita às crianças expressarem os sentimentos todos. Raiva, culpa, desespero e protestar são reacções naturais à morte de alguém amado.

Não fale apenas com as crianças, escute-as também.

Não existe nenhuma fórmula ou procedimento tipo para todas as crianças, durante o momento da morte ou após os meses que se seguem. Seja paciente, flexível e ajuste-se às necessidades individuais.

Os adultos devem conhecer os seus próprios sentimentos sobre a morte. Enquanto os adultos não explorarem conscientemente as suas próprias preocupações, dúvidas e medos sobre a morte, é difícil apoiarem as crianças quando alguém amado faleceu.

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AJUDAR DE MODO SAUDÁVEL OS SOBREVIVENTES DO SUICÍDIO

O historiador Arnaold Tonybee uma vez escreveu, “existem sempre duas partes na morte; a pessoa que morreu e os que sobreviveram”. Infelizmente, muitos sobreviventes do suicídio sofrem sozinhos e silenciosamente. O silêncio que os rodeia complica a recuperação e o encorajamento para sofrer.

Por causa do estigma social que circunda o suicídio, os sobreviventes sentem a dor da perda, contudo sem saber como, ou como, ou se, deveriam expressar isso. Mas o único modo de recuperar é ainda o sofrimento. Tal como outras pessoas que perderam alguém que amavam, os sobreviventes do suicídio necessitam falar, chorar, às vezes gritar, para recuperarem.

Como resultado do medo e de serem mal entendidos, os sobreviventes do suicídio sentem-se frequentemente abandonados quando precisam desesperadamente de apoio incondicional e que os entendam. Sem dúvida, os sobreviventes do suicídio sofrem de muitas maneiras; um, porque precisam de sofrer a perda da pessoa que faleceu; dois, porque tiveram a experiência de uma morte traumática, súbita, inesperada; e, três, porque são evitados por uma sociedade pouco disposta a entender a dor do luto deles.

Como Pode Ajudar?

Se quer ajudar um amigo ou um membro da família que passou pela experiência da morte por suicídio de alguém amado, este artigo irá guiá-lo de modo a transformar os seus cuidados e preocupações em acções positivas.

Aceite a Intensidade da Dor

O sofrimento que se segue a um suicídio é sempre complexa. Os sobreviventes não “superam isso”. Pelo contrário, com apoio e compreensão, podem recuperar-se si mesmo com essa realidade. Não se surpreenda com a intensidade do sofrimento deles. Às vezes, quando menos esperam, estão subjugados ao seu sofrimento. Aceite que os sobreviventes ao suicídio possam estar a lutar contra emoções fortes, como a culpa, o medo e a vergonha – sentimentos, todos eles, bem mais fortes experimentados noutros tipos de morte. Seja paciente, compassivo e compreensivo.

Ouça Com o Coração

Dar assistência a sobreviventes do suicídio significa que tem de acabar com o terrível silêncio. Ajudar começa com a sua capacidade para ser um ouvinte activo. A sua presença física e o seu desejo de escutar sem criticas ou julgamentos são ferramentas preciosas. O desejo de ouvir é a melhor ajuda para quem precisa de falar.

Pensamentos e sentimentos do sobrevivente podem assustar e ser difíceis de compreender. Não se preocupe demasiado com o que deve dizer. Concentre-se apenas nas palavras que estão a ser partilhadas consigo.

O seu amigo pode repetir a mesma história sobre a morte vezes sem conta. Ouça atentamente cada uma delas. Compreenda que esta repetição faz parte do processo de recuperação do seu amigo. Apenas escute e compreenda. E, lembre-se, não tem de ter as respostas para as perguntas dele. Ouvi-las é quanto basta.

Evite Explicações Simplistas e Clichés

Palavras, especialmente clichés, podem ser muito dolorosas para um sobrevivente ao suicídio. Frequentemente, os clichés são comentários muito utilizados que pretendem diminuir o sentimento de perda provendo soluções simples para realidades difíceis. Comentários como, “Estás a portar-te muito bem”, “O tempo curará todas as feridas”, “Pense nas coisas boas da vida”ou “Tens de ser forte para os outros” não são construtivos. Pelo contrário, magoam e tornam o processo do luto mais complicado.

Evite julgamentos ou explicações simplistas relativamente ao suicídio. Não cometa o erro de dizer que a pessoa que se suicidou “não estava consciente”. Informar um sobrevivente que alguém que amava estava “louco ou insano” complica ainda mais a situação. Os sobreviventes do suicídio precisam de ajuda na sua própria procura para compreender o que aconteceu. No final, a sua procura pessoal de significado e compreensão da morte é que é realmente importante.

Seja Compassivo

Dê autorização ao seu amigo para expressar os sentimentos dele sem medo de critica. Aprenda com o seu amigo. Não dê instruções ou explicações de como devia comportar-se. Nunca diga, “Sei como te sentes”. Não sabe. Pense no seu papel como alguém que “caminha com”, não caminha “atrás de “ ou “à frente de”.

Familiarize-se a si mesmo com o grande espectro de emoções que muitos sobreviventes do suicídio experimentam. Permita que o seu amigo sinta todo o sofrimento, tristeza e dor que está a sentir no momento. E reconheça que as lágrimas são a expressão apropriada e natural associada à perda.

Respeite a Necessidade do Luto

Frequentemente ignorados no seu sofrimento são os pais, irmãos, irmãs, avós, tios, cônjuges e crianças das pessoas que cometeram o suicídio. Porque? Porque devido à natureza da morte, às vezes, é mantida em segredo. Se a morte não pode ser falada abertamente, dificilmente as feridas do sofrimento irão recuperar.

Pode ser a única pessoa que está próximo dos sobreviventes, como amigo atencioso. A sua presença física e o facto de ouvir de forma permissiva podem criar o alicerce para o processo de recuperação. Permita que os sobreviventes falem, mas não os force. Às vezes, pode dar uma sugestão e esperar. Se receber um sinal do que precisam, deixe-os perceberem que está lá para os ouvir, e quando, eles quiserem podem partilhar os seus pensamentos e sentimentos.

Compreenda a Singularidade da Dor do Suicídio

Lembre-se que o sofrimento dos sobreviventes do suicídio é único. Ninguém sente a morte de alguém que amou exactamente da mesma maneira. É possível falar com outras pessoas, que também passaram por situações idênticas, sobre algumas fases semelhantes, mas todas as pessoas são diferentes e passaram por experiências de vida únicas.

Porque a experiência do luto é única, seja paciente. O processo do luto leva o seu tempo, assim permita ao seu amigo fazer o luto ao seu ritmo. Não critique o comportamento dele. Lembre-se que a morte por suicídio de alguém é uma experiência muito pesada. Como resultado dessa morte, a vida do seu amigo está em reconstrução.

Esteja Atento aos Dias de Descanso e Aniversários

Para os sobreviventes do suicídio, as ocasiões especiais como os dias de descanso e os aniversários podem ser momentos difíceis. Estas ocasiões enfatizam a ausência da pessoa que faleceu. Respeite essa dor como uma fase natural do processo de luto. Aprenda com isso. E, muito importante, nunca tente diminuir essa dor.

Use o nome da pessoa que faleceu quando falar com os sobreviventes do suicídio. Ouvir esse nome pode ser reconfortante, e confirma que não esqueceu essa pessoa especial que significou tanto na vida deles.

Esteja Atento aos Grupos de Apoio

Os grupos de apoio são uma das melhores maneiras de ajudar os sobreviventes do suicídio. Num grupo, os sobreviventes podem comunicar com outras pessoas compartilham uma experiência similar. Permite-lhes e encoraja-os a contar as suas histórias como querem e gostam. Pode ajudar os sobreviventes a procurar um grupo de apoio. Este esforço da sua parte será apreciado.

Respeite a Fé e a Espiritualidade

Se deixar, os sobreviventes irão “ensinar-lhe” sobre os seus sentimentos de fé e espiritualidade. Se a fé faz parte da vida deles, deixe-os expressar isso da maneira que acharem mais correcta. Se eles estiverem furiosos com Deus, encoraje-os a falarem sobre o assunto. Lembre-se, que ter raiva de Deus demonstra ter uma relação com Deus. Não faça julgamentos, seja um amigo compreensivo e atencioso.

Os sobreviventes podem também necessitar explorar como a religião pode ter complicado as suas vidas. Podem ter sido ensinados que as pessoas que acabam com a sua própria vida vão parar ao inferno. A sua tarefa não é explicar teologia, mas ouvir e aprender. Em qualquer situação, a sua presença e desejo de escutar sem criticas são as suas ferramentas para ajudar.

Trabalhe em Conjunto Como Ajuda

Os amigos e família de alguém que se suicidou não devem sofrer sozinhos e em silêncio. Como ajuda, pode tentar juntar outras pessoas atenciosas para darem apoio e aceitarem os sobreviventes de modo a que sofram de maneira saudável.

A experiência da dor do luto é o resultado de amar. Aos sobreviventes do suicídio devem ser garantidas esta necessidade. É importante lembrar, que ajudar um sobrevivente do suicídio na sua recuperação não é uma tarefa fácil. Pode ter que dar mais o tempo, o amor e a preocupação que alguma vez já deu. Mas este esforço terá ainda mais valor.

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AJUDAR OS ADOLESCENTES A COMBATER A DOR

Todos os anos milhares de adolescentes passam pela experiência da morte de alguém que amavam. Quando um pai, irmão, amigo ou familiar morre, os adolescentes sentem a perda desse alguém que ajudou a moldar as suas frágeis auto-identidade de forma opressiva. E estes sentimentos sobre a morte passam a fazer parte da vida deles para sempre.

Adultos atenciosos, sejam pais, professores, conselheiros ou amigos, podem ajudar os adolescentes durante este período. Se os adultos são abertos, honestos e carinhosos, a experiência da perda de alguém amado pode ser uma possibilidade para estes jovens aprenderem sobre a alegria e dor que pode vir pelo facto de se amar e querer bem aos outros.

A Muitos Adolescentes É-lhes Dito Para “Serem Fortes”

É triste dizer, muitos adultos a quem falta entenderem as suas próprias experiências desencorajam os adolescentes a partilharem o seu sofrimento. Adolescentes despojados demonstram todos sinais de quem está a lutar com sentimentos complexos, ainda assim muitas vezes são pressionados para actuar melhor do que realmente são capazes.

Quando um pai morre, é dito a muitos adolescentes para “serem fortes” e “para continuar”. Eles podem não saber se eles próprios sobrevivem, quanto mais dar apoio a outra pessoa. Obviamente, este tipo de conflitos impede o “trabalho do luto”.

Os Anos da Adolescência Podem Ser Naturalmente Difíceis

Os adolescentes já não são crianças, mas também não são adultos. Com excepção da infância, nenhum período do desenvolvimento possui tantas mudanças como a adolescência. Ao deixar a segurança da infância, o adolescente inicia o processo de separação dos pais. A morte de um pai ou irmão, pode então ser uma experiência particularmente devastadora durante este período, já em si, difícil.

Ao mesmo tempo que o adolescente é confrontado com a morte de alguém que ama, também enfrenta pressões fisiológicas, psicológicas e académicas. Enquanto adolescentes podem começar a parecer “homens” ou “mulheres”, mas ainda precisam de um apoio consistente e compassivo no “processo de luto”, porque desenvolvimento físico não implica desenvolvimento da maturidade emocional.

Os Adolescentes Passam Frequentemente por Mortes Súbitas

A experiência do sofrimento que os adolescentes sentem surge muitas vezes de maneira inesperada. Um pai pode falecer de um súbito ataque de coração, um irmão ou irmã pode morrer num acidente de viação, ou um amigo pode suicidar-se. A verdadeira natureza destas mortes muitas vezes resulta num prolongado e elevado sentimento de irrealismo.

Sentindo-se ofuscados ou entorpecidos quando alguém amado morre é frequentemente a experiência de quem passa por este sofrimento cedo. Este entorpecimento tem uma função valiosa: dá tempo às emoções para aceitarem o que a cabeça lhes transmite. Este sentimento ajuda a separar a realidade da morte até estarem preparados para tolerarem o que não querem acreditar.

O Apoio pode Faltar

Muitas pessoas assumem que os adolescentes têm muitos amigos encorajadores e que a família está sempre disponível para eles. Na realidade, isto pode não ser verdade. A falta de apoio disponível relaciona-se frequentemente com as expectativas sociais colocadas na adolescência.

Normalmente, espera-se que os adolescentes sejam “crescidos” a apoiem os outros membros da família, principalmente um pai ou mãe sobrevivente e/ou os irmãos e irmãs mais jovens. Já foi dito a muitos adolescentes, “Agora, terás de cuidar da tua família”. Quando um adolescente sente a responsabilidade de “cuidar da sua família”, ele ou ela não tem a oportunidade – ou a permissão – para sofrer.

Às vezes, pensamos que os adolescentes encontram conforto com outros adolescentes. Mas quando se fala de morte, isto pode não ser verdade. Muitos adolescentes despojados são cumprimentados com indiferença pelos outros adolescentes. Parece que a não ser que também os amigos tenham também passado pela experiência do luto, eles projectam os seus próprios sentimentos de desamparo ignorando completamente o assunto da perda.

Como nos esforçamos para ajudar os adolescentes despojados, devíamos lembrarmo-nos sempre que muitos deles vivem em ambientes que não lhes garantem apoio emocional. E ao virarem-se para os amigos e a família ouvirem “”Para seguirem com a vida”.

Podem Existir Relações Conflituosas

Os adolescentes esforçam-se para alcançarem a sua independência, por isso frequentemente possuem relações conflituosas com os outros membros da família. Um normal, porém difícil modo dos adolescentes se separem dos pais é passando por um período de desvalorização.

Se um pai morre enquanto o adolescente está a passar pela fase de repelir o pai física e emocionalmente, frequentemente surge um sentimento de culpa e de “trabalho inacabado”. No entanto a necessidade de criar esta distância é normal, mas podemos facilmente verificar como isto vai complicar todo o processo de luto.

Sabemos que a maioria dos adolescentes passa momentos difíceis com os pais e irmãos. Os conflitos resultam do processo normal de formação de identidade individual. Morte, combinada com a turbulência das relações entre o adolescente e pais ou irmãos, pode criar uma necessidade real para “falar com alguém de fora” sobre a relação dele (adolescente) com a pessoa que faleceu.

Sinais de Que Um Adolescente Precisa de Ajuda Extra

Como já se disse, existem muitas razões para que uma recuperação saudável seja especialmente difícil para os adolescentes. Alguns adolescentes em luto podem comportar-se de maneira inapropriada ou amedrontada. Esteja atento a:

Sintomas de depressão crónica, dificuldades em dormir, inquietude e abaixa auto-estima
Insucesso escolar ou indiferença para actividades relacionadas com a escola Deterioração das relações com a família e os amigos
Comportamentos de risco como abuso de drogas e álcool, lutas e experiências sexuais
Negação da dor enquanto age ao mesmo tempo como forte e com maturidade

Para ajudar um adolescente que está a passar por um período particularmente difícil com a sua perda, explore bem os serviços de ajuda na sua comunidade. Os conselheiros escolares, os grupos da igreja e os terapeutas privados são os recursos mais apropriados para alguns jovens, enquanto outros podem apenas precisar um pouco mais de tempo e atenção de amigos atenciosos que gostem deles. O mais importante é que ajude o adolescente que sofre a encontrar segurança e a criar saídas emocionais neste momento difícil.

O Papel do Adulto Atencioso

O modo como os adultos reagem à morte de alguém amado produz efeito no modo de reagir dos adolescentes. Às vezes, os adultos não querem falar da morte., pensando que ao fazerem isso poupam os mais jovens da dor e tristeza. Contudo, a realidade é muito simples: os adolescentes sofrem de qualquer maneira.

Frequentemente, os adolescentes precisam de adultos atenciosos como terem a certeza de que é correcto estarem tristes e sentir muitas emoções quando alguém que amavam morreu. Normalmente, também precisam de ajuda para saberem que a dor que sentem nesse momento não durará para sempre. Ao ignorar, os adolescentes podem sofrer mais e sentirem-se isolados da actual morte. Pior ainda, podem sentir-se sozinhos com o seu sofrimento.

Esteja Atento aos Grupos de Apoio

Grupos de apoio com adolescentes na mesma situação são um dos melhores modos de ajudar um adolescente. Num grupo, os adolescentes podem comunicar com outros adolescentes que passaram pela experiência da perda. Permitem e encorajam a contar a historia deles ou delas as vezes que eles quiserem e como quiserem. Normalmente, a maioria está disposto a reconhecer que aquela morte alterou a sua vida para sempre. Pode ajudar um adolescente a encontrar um grupo de ajuda. Este esforço da sua parte será apreciado.

Compreendendo a Importância da Perda

Lembre-se na adolescência a morte de alguém amado é uma experiência cortante. Como resultado desta morte a vida do adolescente está em reconstrução. Compreenda o significado da perda e seja sensível e compassivo em todos os seus esforços de ajuda.

O luto é complexo. Depende muito de adolescente para adolescente. Os adultos atenciosos precisam comunicar aos adolescentes que não é vergonhoso. Pelo contrário, a dor é a expressão natural de amor pela pessoa que faleceu.

Para adultos atenciosos, o desafio é claro, adolescentes não escolhem entre sofrer ou não sofrer, mas os adultos podem escolher entre ajudar ou não ajudar os adolescentes com o seu sofrimento.

Com amor e compreensão, os adultos podem apoiar e ajudar os adolescentes vulneráveis durante este tempo, tornando este período numa experiência valiosa para o crescimento pessoal e desenvolvimento da adolescência.

É importante reconhecer que a ajuda dos adolescentes em luto não é tarefa fácil. Terá de disponibilizar tempo, amor e preocupação. Mas esse esforço será valorizado.

Ao “Caminhar com” um adolescente durante o seu processo de luto, está a dar o melhor presente – você mesmo.

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AJUDAR AS CRIANÇAS NO FUNERAL

O Funeral Para Adultos e Crianças

A maioria dos rituais da nossa sociedade foca-se nas crianças. O que seriam os aniversários ou o Natal sem crianças? Infelizmente, o ritual funerário, cujo objectivo é ajudar as pessoas despojadas a encontrar algum conforto nos outros, não é visto como um ritual para crianças. As crianças não são incluídas no funeral porque os adultos querem protegê-las. Argumentam: o funeral é doloroso por isso vou protegê-las dessa dor.

É verdade, os funerais são muito dolorosos, mas as crianças têm tanto direito de participar neles como os adultos. Os funerais são importantes para sobreviventes de qualquer idade porque:

Ajudam a reconhecer a morte de alguém
Promove uma estrutura de apoio e ajuda durante o período inicial do luto
Promove um período de tempo para homenagear, lembrar e confirmar a vida da pessoa que faleceu
Permite a “procura de significado” no contexto religioso ou filosófico de cada pessoa

Explicar o Que É...

A não ser que a criança já tenha ido a outro funeral antes, não sabem o que podem esperar de um funeral. Pode ajudar explicando o que vai acontecer antes, durante e depois da cerimónia. Deixe que as perguntas e natural curiosidade das crianças guie a discussão.

Dê tantos detalhes quanto o interesse da criança em ouvir. Pode explicar como estará a sala, quem estará presente e quanto tempo durará, por exemplo. Quando possível, leve a criança antes do funeral à agencia funerária. Isto permite-lhes mais liberdade para reagir e falar abertamente dos seus sentimentos e preocupações.

Deixe a criança saber, com antecedência, se o corpo estará à vista durante essa visita ou no próprio funeral. Se o corpo for cremado, explique o que é a cremação e o que acontecerá às cinzas. Certifique-se de que a criança percebe que a pessoa já estava morta, que não sentiu dor ou qualquer outra coisa durante a cremação.

Também se deve ajudar as crianças a perceberem que no funeral irão ver as pessoas expressarem muitas emoções. Irão ver pessoas a chorar, carrancudas e até risadas. Se os adultos expressarem livremente as suas emoções, as crianças sentir-se-ão mais livres para expressarem os seus próprios sentimentos de perda.

E os Porquê’s...

Ajude as crianças a compreenderem porque temos os funerais. As crianças precisam que o funeral é um momento de tristeza porque alguém morreu, um momento para homenagear a pessoa que faleceu, um momento para ajudar a confortar e apoiar o outro e um momento para confirmar a vida da pessoa falecida.

Uma razão por que as crianças parecem aceitar facilmente o funeral, é por ser um momento para se dizer adeus. E dizer adeus é reconhecer que a pessoa que amamos foi embora e não volta mais. Se o corpo irá estar à vista, diga à criança que ver o corpo ajuda as pessoas a dizerem adeus e que se quiser pode tocar na pessoa que amou uma última vez.

Também é um bom momento para explicar qual o significado espiritual do funeral para si. Pode ser difícil, até para os adultos é um momento complicado para articular as suas convicções acerca da vida e da morte. Lembre-se: as crianças têm dificuldade para compreenderem coisas abstractas, por isso é melhor utilizar coisas concretas para explicar conceitos religiosos.

Inclua as Crianças no Ritual

Quando achar apropriado, pode convidar as crianças não apenas a assistir ao funeral mas também a fazer parte dele. As crianças apreciam sentir que os sentimentos deles “interessa” e que podem partilhar a sua recordação preferida ou ler um poema especial no funeral. As crianças mais tímidas podem querer acender uma vela ou colocando qualquer especial dentro da urna (uma recordação ou uma fotografia, por exemplo). E muitas crianças sentem-se menos abandonadas quando são convidadas a ajudar a planear o serviço funerário.

Encoraje, Mas Não Force

As crianças devem ser convidadas e assistir ou a participar nos funerais, mas nunca devem ser forçadas. Quando são afectuosamente guiados no processo a maioria das crianças quer assistir ao funeral. Ofereça opções à criança: “Podes ir hoje com todos ou se quiseres posso levar-te hoje de manha cedo para dizeres adeus em privado”.

Compreenda e Aceite o Modo da Criança Sofrer

Não diga À criança o que ele deve ou não sentir, principalmente durante o funeral. Lembre-se que frequentemente as crianças precisam aceitar o sua dor em fases, e esses sinais externos podem ir e vir. Não é nada invulgar, por exemplo, as crianças quererem brigar com os primos durante a cerimónia ou jogarem jogos logo após o funeral. Em vez de castigar o comportamento deles, deve respeitar a necessidade da criança ser criança durante este período difícil. Se o comportamento da criança estiver a perturbar os outros, explique-lhe que existem comportamento aceitáveis e comportamento inaceitáveis num funeral e que espera que ela (ou ele) tenha em consideração os sentimentos dos outros que também sofrem – incluindo você.

Esteja Presente

Estar presente (antes, durante e depois do funeral) é a coisa mais importante que pode fazer para ajudar a criança. Quando estamos a sofrer, todos precisamos do apoio dos outros. Mas, principalmente, as crianças que sofrem precisam saber que não estão sozinhas.

A proximidade física e o conforto transmitem segurança à criança durante os tempos de angústia. O que diz pode não ser tão importante como um toque no ombro, uma mão nas costas ou um ombro para chorar.

Lembre-se de ser um bom observador do comportamento das crianças. Seja paciente e esteja disponível assim como permita aprender com as crianças o que o funeral significa para elas.

Funerais: Uma Palavra Final

Uma autor anónimo escreveu “Quando as palavras são inadequadas, crie um ritual”. Tanto para as crianças como para os adultos a morte deixa-nos, de maneira semelhante, estupefactos. O funeral, um ritual conhecido desde o inicio dos tempos, existe para nos ajudar lembrar a vida que já foi vivida e para nos apoiarmo-nos uns aos outros. Como adultos, devemos ter em atenção a explicação às nossas crianças do valor que tem para todos a morte daquela pessoa amada.

A Linguagem dos Funerais

Lembre-se de usar palavras simples e concretas ao falar com a criança sobre a morte. Seguem-se algumas sugestões para explicar alguns termos funerários:

Cinzas

O que resta do corpo morto depois da cremação. Parecem-se com as cinzas de um fogo.

Enterro

Colocar o corpo morto (que está dentro de uma urna) debaixo da terra.

Urna (também denominado por “caixão”)

Uma caixa de madeira especial para enterrar um corpo morto.

Cemitério

Um lugar onde são enterrados muitos corpos mortos.

Morto (também denominado por “corpo morto” ou “cadáver”)

Quando o corpo de uma pessoa deixa de trabalhar. Não vê, não ouve, não sente, não respira, não come, etc..

Funeral

Um momento em que os amigos e a família se juntam para dizerem adeus e recordarem os bons momentos que passaram junto à pessoa que faleceu.

Casa Mortuária

Local onde se colocam os mortos até à cerimónia do funeral.

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OS MEUS DIREITOS: DEZ DIREITOS DA CRIANÇA NO SOFRIMENTO E RECUPERAÇÃO

Nota: É pretendido que esta “lista de direitos” das crianças em luto as ajudem a recuperarem – e que ajude os adultos significativos nas suas vidas a serem encorajadores, também.

Alguém amado morreu. Provavelmente está a ter muitos sentimentos e pensamentos dolorosos e assustadores. Perto desses sentimentos e pensamentos a denominada dor ou sofrimento, que é normal (apesar de muito difícil), momento por que todas as pessoas que perderam alguém que amavam passam.

Os seguintes dez direitos servem para o ajudar a compreender a sua dor e, eventualmente, para se sentir novamente bem com a vida. Faça uso das ideais que têm a ver consigo. Pendure esta lista no seu frigorífico ou na porta do seu quarto. Ao lê-la frequentemente faz com que as ideias comecem a fazer parte de si e recuperar da sua perda. Pode também pedir aos adultos que o rodeiam para lerem de modo a eles o ajudarem da melhor maneira possível.

· Tenho o direito a ter os meus próprios sentimentos, únicos e individuais sobre a morte. Posso sentir raiva, tristeza e solidão. Posso sentir-me assustado ou aliviado. Posso sentir entorpecimento ou, às vezes, não sentir nada. Ninguém se pode sentir exactamente da mesma maneira que eu.

· Tenho o direito de falar sobre o meu sofrimento sempre que tenho vontade de o fazer. Quando precisar de falar, procurarei alguém que me escute e me ame. Quando não quiser falar, também não faz mal.

· Tenho o direito de demonstrar os meus sentimentos de dor da minha própria maneira. Quando estão a sofrer, algumas crianças gostam de brincar pois assim durante algum tempo estão bem. Posso brincar e também rir. Também posso aborrecer-me e chorar. Isto não significa que sou mau, apenas significa que tenho sentimentos assustadores para os quais preciso de ajuda para combater.

· Tenho o direito de precisar de outras pessoas para combater a minha dor, especialmente de adultos que se preocupam comigo. Mais, preciso deles para prestarem atenção ao que estou a sentir e dizer e me amarem mesmo assim.

· Tenho o direito de ficar transtornado com problemas quase normais, quotidianos. Posso estar chateado e ter dificuldade em estar com os outros, às vezes.

· Tenho o direito de ter “explosões de dor”. As explosões de dor são sentimentos súbitos, inesperados de tristeza que tomam conta de mim por vezes – mesmo depois de muito tempo após a morte. Estes sentimentos podem ser muito fortes e muito assustadores. Quando isto acontece, posso sentir medo de estar só.

· Tenho o direito de usar as minhas convicções sobre o meu Deus para me ajudar a lidar com os meus sentimentos de dor. Rezar pode fazer sentir-me melhor e de alguma maneira mais próximo da pessoa que faleceu.

· Tenho o direito a tentar compreender porque a pessoa que amei está morta. Está bem mesmo que não encontra resposta. Por que as perguntas sobre a vida e a morte são as mais duras do mundo.

· Tenho o direito de pensar e falar sobre as recordações que tenho da pessoa que faleceu. Às vezes, essas recordações são alegres e outras vezes podem ser tristes. De qualquer maneira, estas recordações ajudam a perpetuar o amor que sinto pela pessoa que faleceu.

· Tenho o direito de modificar o meu sentimento de sofrimento e, com o passar do tempo, recuperar. Irei ser feliz, mas a vida e a morte dessa pessoa que faleceu farão sempre parte da minha vida. Sentirei sempre a falta dessa pessoa especial.

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AJUDAR A SUA FAMÍLIA A PERSONALIZAR O FUNERAL

Se está no meio do planeamento do funeral, pode estar a sentir-se subjugado. Deve ter atenção a muitos pormenores. Devem ser contactadas algumas pessoas. Devem ser tomadas muitas decisões. Os seus pensamentos e sentimentos de lutos tornaram estas tarefas mais difíceis.

Ainda assim, aconselho-o a ter calma, respire fundo e concentre-se no que é realmente importante no funeral. O que é essencial é a vida da pessoa que faleceu e o impacto que essa vida teve na família e amigos. Para homenagear essa vida única, deve ser também realizado um funeral único. Muitas e muitas famílias dizem que os melhores funerais são os que são personalizados.

Tenha em Consideração a Vida Única da Pessoa Que Faleceu

Enquanto pensa em personalizar o funeral, recorra à sua memória sobre a pessoa que faleceu. Pense nas qualidades dele ou dela e no que ele ou ela gostariam de dizer aos outros. Tenha em consideração as suas paixões, os seus hobbies, os seus passatempos, os seus gostos, as suas antipatias, etc.

Pode fazer uma lista com o seguinte:

Qualidades e paixões da pessoa que faleceu
Recordações especiais para compartilhar
Realizações da pessoa que faleceu
Pessoas importantes que quer incluir de qualquer maneira

Personalize os Elementos da Cerimónia

Uma vez que pensa na vida e personalidade dessa pessoa como única, é altura de tentar transportar essas recordações para o funeral. Seja criativo, peça ajuda à família, aos amigos e ao agente funerário, inspire-se para fazer a ultima homenagem a essa pessoa especial.

Uma boa maneira para personalizar o funeral é personalizar os vários elementos que fazem parte do funeral:

O velório
A música
As leituras
O acompanhamento do corpo
O serviço de cometimento
A recepção

Cada um destes elementos pode ser personalizado de várias maneiras. Durante o velório, por exemplo, pode expor fotografias, recordações, colecções ou arte. Pode fazer o mesmo durante a recepção. Escolha uma música que a pessoa que faleceu gostasse. Seleccione poesia ou outras leituras que falam da vida dessa pessoa única. Peça às pessoas mais íntimas dessa pessoa para tocarem música, lerem poesia, levarem a urna, cozinharem para a recepção – o que tiver mais a ver com cada um deles.

Mais Ideias Para Personalizar o Funeral

O funeral deve ser tão especial como a vida da pessoa de quem se lembra. Aqui ficam algumas ideias:

Escreva um obituário personalizado. Alguns jornais permitem que expresse um pouco mais do que os habituais O quê, Porquê, Onde e Quando. Escolha uma pessoa da família que tenha a capacidade da “escrita” criativa para desempenhar esta tarefa.
Crie um livro de memórias para as pessoa escreverem uma memória e assinarem o seu nome.
Exiba objectos pessoais ou colecções da pessoa que faleceu numa mesa durante o velório e na recepção após o funeral.
Escolha uma roupa para vestir a pessoa que faleceu que transmita a sua forma de encarar a vida, as suas paixões, os seus interesses, etc.. A roupa não tem de ser obrigatoriamente formal e sombria!
Crie um programa especial para a cerimónia. Pode incluir fotografias, poemas, anedotas – qualquer que goste! O seu agente funerário pode ajudá-lo.
Mostre um vídeo ou slide de fotografias da vida da pessoa que faleceu na recepção após o funeral. Imagens valem mais que mil palavras.
Pergunte às crianças se elas gostariam de escrever uma carta ou fazer um desenho para a pessoa que morreu. Assim o “adeus” deles pode ser colocado junto ao corpo, na urna.
Escolha as flores que a pessoa que faleceu gostava. Um arranjo simples de lilases, por exemplo pode ser perfeito.
No funeral, convide as pessoas a escreverem uma memória acerca da pessoa que morreu. Escolha uma pessoa para juntar essas memórias e as ler em voz alta.
Crie um funeral que transmita a personalidade da pessoa que faleceu. Se ele era brincalhão, não tenha receio de utilizar algum humor. Se era afectuoso, peça às pessoas para se colocarem de pé e que abracem a pessoa que está ao seu lado.
Crie um marcador personalizado. Inclua um poema, um desenho ou uma frase curta que defina a pessoa que morreu.

Uma Palavra Final

Um funeral bem planeado, único, individual, tocará profundamente a família e amigos da pessoa falecida. O funeral irá ajudar o inicio da recuperação e proporcionar conforto e satisfação nos meses e anos seguintes.

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DEZ LIBERDADES PARA CRIAR UM FUNERAL SIGNIFICANTE

Um funeral significante não acontece. Eles têm de ser bem pensados, pelo menos um ou dois dias antes, exigem o seu pensamento e o seu tempo. Mas o planeamento pode ser menos penoso se se lembrar que essa energia despendida agora serve para criar um funeral personalizado, uma cerimónia que inclusivamente o ajudará a si, à sua família e aos outros enlutados a fazerem um percurso saudável, de recuperação.

A lista que se segue pretende ajudá-lo a aceitar a sua legitimidade para a criação de um funeral com significado para si, para a sua família e amigos.

Tem o direito a realizar o ritual.

O ritual do funeral faz com que reconheça mais facilmente a morte de alguém amado. Ajuda-o a ter o apoio de pessoas atenciosas. É uma maneira de você, e os outros, demonstrarem que amavam aquela pessoa dizendo, “Lamentamos esta morte e precisamos uns dos outros para superar este momento doloroso”. Se outras pessoas lhe disserem que estes rituais são tolos e desnecessários, não ligue.

Tem liberdade para planear um funeral para satisfazer as necessidades únicas da sua família.

Desde que encontre conforto e significado nas cerimónias funerárias tradicionais, também tem o direito de criar uma cerimónia que reflecte a personalidade única da pessoa que morreu e da sua família. Não tenha receio de acrescentar o seu toque especial mesmo ao funeral mais tradicional.

Tem liberdade para pedir aos amigos e membros da família para se envolverem no funeral.

Para muitas pessoas, o funeral só tem significado que são envolvidas uma variedade de pessoas que amaram a pessoa que faleceu. Pode pedir aos outros para lerem, tocarem uma música ou mesmo ajudar a planear o funeral.

Tem liberdade para ver o corpo antes e durante o funeral.

Ver o corpo não é apropriado em todas as culturas e fés, contudo muitas pessoas acham que isto os ajuda a reconhecer a realidade da morte. Também proporciona uma maneira de dizer adeus à pessoa falecida. Existem muitos benefícios em ver o corpo e nas cerimónias de caixão aberto, não permita que lhe digam que esta prática está errada e é mórbida.

Tem liberdade para demonstrar a sua dor durante o funeral.

O funeral pode ser um dos momentos mais dolorosos da sua vida mas também um dos momentos mais catártico. Permita expressar a sua dor abertamente. Não tenha vergonha de chorar. Encontre pessoas que ouçam os seus sentimentos sem tentarem encontrar um significado para eles.

Tem a liberdade de planear um funeral um funeral que reflecte a sua espiritualidade.

Se a fé faz parte da sua vida, o funeral é o momento ideal para encontrar apoio e conforto na fé. Os que têm essa orientação espiritual secular têm também a liberdade para planear uma cerimónia que satifaça as suas necessidades.

Tem liberdade de procurar por um significado antes, durante e depois do funeral.

Quando alguém que ama morre, pode começar a questionar a sua fé e até mesmo questionar o significado da vida e da morte. É natural e não é pecado fazê-lo. Não deixe os outros desvalorizarem a sua procura de significado com clichés do tipo, “Foi a vontade de Deus” ou “Pense nas coisas boas que a vida lhe deu”.

Tem a liberdade para recordar durante o funeral.

As recordações são um dos melhores tesouros que existem depois da morte de alguém que amamos. Lembrar-se-á sempre. Peça ao seu agente funerário para colocar um “quadro de memórias” ou uma “mesa para memórias”. Peça às pessoas que assistem ao funeral para partilhar uma recordação especial da pessoa que faleceu.

Tem liberdade para ser tolerante com os seus limites físicos e emocionais.

Especialmente nos dias imediatamente a seguir à morte, os seus sentimentos de perda e tristeza irão fazê-lo sentir-se muito cansado. Respeite o que o seu corpo e cabeça lhe está a dizer. Descanse. Coma refeições equilibradas.

Tem a liberdade para orientar a sua dor e recuperar.

O funeral é um acontecimento, mas o seu luto não. A recuperação da sua dor não será rápida. Seja paciente e tolerante consigo próprio e evite pessoas impacientes e intolerantes consigo, antes, durante e depois do funeral. Nem você nem os outros que o rodeiam podem esquecer que a morte de alguém que se ama muda para sempre a nossa vida.

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PORQUÊ O RITUAL DO FUNERAL É IMPORTANTE?

“Quando as palavras são inadequadas, crie um ritual”
Anónimo

Rituais são, na maioria das vezes, cerimónias simbólicas que nos ajudam a expressar os nossos sentimentos e pensamentos mais profundos junto dos nossos familiares e amigos. O Baptismo celebra o nascimento da criança e sua aceitação na comunidade Cristã. As festas de aniversário honram a pessoa que faz anos e serve para festejar mais um ano de vida de uma pessoa que amamos. O Casamento tem como função afirmar o amor entre duas pessoas publicamente e abençoar essa união.

Também o ritual funerário é um meio simbólico, tradicional e público de expressar os nossos pensamentos, sentimentos e convicções acerca da morte de uma pessoa que amamos. Rica em história e abastada com simbolismo, a cerimónia funerária ajuda-nos a reconhecer a realidade da morte, dá valor à vida do defunto, encoraja a expressão da dor que está consistente com os valores culturais, provê apoio a quem sofre, permite aceitar a fé e as convicções sobre a vida e a morte, e oferece a continuação e esperança para viver.

Infelizmente, na nossa cultura que tem tendência para evitar o sofrimento (o luto) o significado do funeral é esquecido. É preocupante que as famílias, as pessoas e, por fim, a própria sociedade sofrerão se não reinvestirmos no ritual funerário. Este artigo explora os benefícios do sofrimento-recuperação e dos benefícios do funeral com esta tendência de “desritualização”.

Para a recuperação existem seis fases do processo de luto para a recuperação da dor. Ou seja, as pessoas despojadas de alguém que amavam têm necessariamente de passar por cada uma destas fases, com todo o seu sofrimento, com o amor e a compaixão que despertam à sua volta, para poderem recuperar do luto e encontrar um novo significado para a vida e continuar a viver.

Como pode ajudar um funeral tradicional a ultrapassar estas seis fases do processo de luto:

Fase do Luto 1. Reconheça a realidade da morte.

Quando alguém que amamos morre, temos de reconhecer abertamente a realidade e finalidade da morte se queremos recuperar da nossa dor. Normalmente, aceitamos essa realidade em duas fases. Primeiro reconhecemos a morte na nossa cabeça; dizemos que alguém que amávamos faleceu e, pelo menos intelectualmente, reconhecemos de facto a morte. Com o decorrer dos dias e semanas seguintes, suavemente, começamos a reconhecer a realidade da morte nos nossos corações.

As cerimónias funerárias podem ser uma grande ajuda para a “consciencialização” da morte. Intelectualmente, os funerais ensinam-nos que alguém que amamos faleceu, embora até ao momento do funeral nos tenhamos negado esse facto. Quando contactamos a agência funerária, marca-se uma hora para o serviço, planeia-se a cerimónia, vê-se o corpo, escolhemos a roupa e os acessórios para vestir o corpo, não podemos evitar reconhecer a morte da pessoa que amávamos. Quando vemos a urna baixar o solo, somos testemunhas da morte.

Fase do Luto 2. Oriente a dor da perda.

O nosso reconhecimento da morte progride do “entender na cabeça” para o “entender no coração”, começamos por sentir a dor da perda – outra necessidade que quem sofre a morte de alguém que amava para poder recuperar. O luto saudável significa expressar os nossos pensamentos e sentimentos dolorosos, e as cerimónias funerárias são saudáveis porque nos permitem isso.

As pessoas têm tendência a chorar, em lamurio ou em soluços, nos funerais porque os funerais fazem-nos concentrar no facto da morte e nos nossos sentimentos, muitíssimo dolorosos, sobre essa morte. Durante, pelo menos, uma ou duas horas – durante mais tempo para a pessoa que planeou a cerimónia ou recebe as pessoas – os que assistem ao funeral não são capazes de intelectualizar ou distanciarem-se da sua dor do luto. Para nosso benefício, os funerais criam-nos um local onde se aceita que expressemos os nossos sentimentos mais dolorosos. São talvez o único local e tempo, durante o qual a sociedade perdoa a expressão aberta da nossa tristeza.

Fase do Luto 3. Lembre a pessoa que faleceu.

A recuperação no luto, temos de trocar a relação com a pessoa que faleceu de uma presença física para uma memória. O funeral tradicional encoraja-nos a efectuar essa traça, para isso é necessário um tempo e lugar necessários para lembrarmos os momentos partilhados – bons e maus – com a pessoa que faleceu. Como em nenhum outro tempo antes e depois da morte, o funeral convida-nos a focarmo-nos na relação única que tivemos, com aquela pessoa especial e a partilhar essas recordações com os outros.

Nos funerais tradicionais, no elogio tenta-se realçar os principais êxitos na vida do defunto e as suas características especiais. Isto é útil aos que sofrem, pois tende a incitar recordações íntimas, individuais. Mais tarde, depois da própria cerimónia, muitos dos que estão de luto compartilham informalmente recordações da pessoa que faleceu. Também isto é importante. Ao longo do nosso percurso de luto, à medida que mos tornamos mais capazes de “contar uma história” – da morte em si, das nossas recordações da pessoa que morreu – mais perto estaremos da recuperação da perda. Além disso, o partilhar as recordações no funeral afirma o valor que a pessoa que faleceu tinha para nós, e legitima a nossa dor. Muitas vezes, também, as memórias que outros partilham connosco no funeral no funeral, são recordações que nunca tínhamos ouvido antes. Isto mostra-nos coisas novas sobre a pessoa que faleceu e permite recordar aquela vida que sempre apreciamos.

Fase do Luto 4. Desenvolva uma nova auto-identidade.

Outra fase necessária da recuperação do luto é o desenvolvimento de uma nova auto-identidade. Somos todos seres sociais cujas vidas têm determinado significado de acordo com a relação que estabelecemos com os que nos rodeiam. Eu não sou apenas Sandra, mas uma filha, uma irmã, uma esposa, uma mãe, uma amiga, etc. quando alguém que me é próximo morre, a minha auto-identidade que estava definida muda.

O funeral ajuda-nos a iniciar este difícil processo de desenvolvimento de uma nova auto-identidade porque nos oferece um local social para reconhecimento público dos nossos novos papéis sociais. Se é pai ou mãe de uma criança e essa criança morre, o funeral marca o início da sua vida como um pai despojado (no sentido físico; você terá sempre essa relação em memória). Outras pessoas assistem ao funeral como efeito de declaração,”Nós reconhecemos que a sua identidade mudou, mas queremos que saiba que nos preocupamos consigo”. Por outro lado, em situações em que não existe funeral, o grupo social não sabe como relacionar-se com a pessoa cuja identidade mudou e frequentemente essa pessoa é socialmente abandonada. Alem disso, ter os familiares e amidos encorajadores ao nosso lado durante o funeral ajuda-nos a percebera nossa existência. Este assunto da auto-identidade é bem ilustrado por um comentário habitual:”Quando ele (ou ela) morreu, senti como se uma parte de mim morresse também”.

Fase do Luto 5. A procura de significado.

Quando alguém que amamos morre, naturalmente questionamo-nos sobre o significado da vida e morte. Porque morreu esta pessoa? Porquê agora? Porquê deste modo? Porque tem de doer tanto? O que acontece depois da morte? Para podermos recuperar, temos de explorar estas perguntas. De facto, temos de questionar os “Porque” para decidir porque devemos continuar a viver antes mesmo de nos perguntarmos como vamos nós viver. Isto não significa que encontraremos respostas definitivas, mas que precisamos da oportunidade para pensar (e sentir) essas coisas.

Num nível mais fundamental, o funeral reforça um facto real na nossa existência: nós morremos. Tal como viver, morrer é um processo natural e inevitável. (Temos tendência a não reconhecer isto). Assim, o funeral ajuda-nos a procurar um significado na vida e morte da pessoa que faleceu como também nas nossas próprias vidas e mortes iminentes. Cada funeral torna-se num ensaio para o nosso próprio funeral.

Os funerais são um modo de demonstrar o peso das nossas convicções e valores sobre a vida e sobre a morte como indivíduos, e como comunidade. O verdadeiro motivo do funeral é demonstrar o valor que aquela morte tem para nós. Para se viver uma vida cheia e tão saudável quanto possível, assim deveria ser.

Fase do Luto 6. Receba apoio contínuo dos outros.

Como dissemos, os funerais são um meio público de expressar os nossos sentimentos e convicções sobre a morte de alguém que amamos. De facto, os funerais são um local publico para oferecer apoio a outros e ser apoiado quando sofre, no funeral e no futuro. Os funerais funcionam como uma declaração social: “Venha apoiar-me”. Quem escolhe não ter funeral está a declarar “Não venha apoiar-me”.

Nos funerais demonstramos precisar de apoio físico, também. Infelizmente, a nossa sociedade não é muito afectiva (fisicamente), mas nos funerais permitem-nos tocar, abraçar, confortar. Novamente, as palavras são inadequadas assim demonstramos o nosso apoio fisicamente. Este apoio físico é um dos aspectos de recuperação mais importantes nas cerimónias funerárias.

Finalmente, e simplesmente, os funerais servem como um lugar de ajuntamento social para quem está triste e a sofrer. Quando nos preocupamos com alguém que faleceu e com os membros da sua família, assistimos ao seu funeral. A nossa presença física é o maior apoio que se pode dar. Ao irmos ao funeral estamos a demonstrar aos seus familiares que não estão sós no sofrimento.

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